Poder e Governo

Ato pelo 8 de Janeiro em São Paulo acaba em confusão e agressões com ex-deputado bolsonarista; vídeo

O ex-deputado estadual Douglas Garcia (União Brasil) e o vereador Rubinho Nunes (União Brasil) estiveram envolvidos no episódio

Agência O Globo - 09/01/2026
Ato pelo 8 de Janeiro em São Paulo acaba em confusão e agressões com ex-deputado bolsonarista; vídeo
Manifestação usp

Uma manifestação realizada na tarde desta quinta-feira (8), no Largo de São Francisco, terminou em confronto físico entre militantes e o ex-deputado estadual bolsonarista Douglas Garcia (União Brasil). O evento, organizado no salão nobre da Faculdade de Direito da USP, tinha como objetivo marcar os três anos do 8 de janeiro e protestar contra o Projeto de Lei da Dosimetria, vetado em cerimônia solene em Brasília pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A tensão teve início com a chegada de figuras políticas ligadas à direita ao local, onde se concentravam os militantes de esquerda. O ex-deputado estadual Douglas Garcia (União Brasil) e o vereador Rubinho Nunes (União Brasil) estiveram envolvidos no episódio.

Segundo vídeos e relatos de pessoas presentes no evento, o conflito começou depois que Douglas Garcia subiu até as galerias superiores do auditório para realizar gravações de vídeo, atitude que foi recebida como provocação pelos presentes.

Os manifestantes teriam reagido aos gritos de "fascista", e logo em seguida começaram a expulsar Douglas do local, momento em que as agressões físicas começaram. O ex-deptuado teve a camisa enquanto era forçado a descer as escadarias.

O Centro Acadêmico XI de Agosto, entidade representativa dos estudantes da Faculdade de Direito e um dos organizadores do ato, classificou a confusão como resultado deliberado de uma ação dos políticos de direita. Em nota oficial de repúdio, a entidade afirmou que o tumulto foi iniciado pela dupla. Segundo o Centro Acadêmico, a presença dos parlamentares no local não visava ao diálogo, mas sim à incitação de conflito para fins midiáticos.

"Trata-se do conhecido modus operandi do bolsonarismo e de seus grupos satélites: infiltrar-se em manifestações da esquerda e dos movimentos sociais com o único intuito de tumultuar, incitar conflitos e fabricar narrativas vitimistas para as redes sociais. O objetivo é claro: criar o caos para constranger a luta popular e gerar engajamento através da mentira", diz trecho da nota.

A situação agravou-se no andar térreo, onde o vereador Rubinho Nunes e sua equipe aguardavam. Nunes se defendeu e disse que marcou presença no evento para “conversar isoladamente com algumas pessoas que estivessem dispostas a falar”. O vereador não chegou a entrar no salão, mas acabou no meio da confusão e afirma que também foi agredido com uma garrafada no rosto. O ex-deputado estadual deixou o local acompanhado por cinco assessores, vestindo a camisa completamente rasgada.

A entidade estudantil declarou ainda ser "inadmissível" que, na data que relembra a resistência democrática, o espaço simbólico para a democracia brasileira" fosse ocupado por figuras ligadas ideologicamente aos atentados de 2023.

"O XI de Agosto reafirma que não cairá em provocações baratas, mas tampouco aceitará calado que o nosso espaço seja utilizado como palco para a demagogia de quem sempre desprezou a democracia", completa o comunicado.

O ato e o manifesto

A convocação para o evento foi liderada pelo Grupo Prerrogativas, pelo Centro Acadêmico XI de Agosto e pelo PT-SP, contando com a adesão de 40 entidades. O objetivo central era a divulgação de um manifesto que propõe estabelecer uma memória permanente sobre os ataques ocorridos em Brasília há três anos.

O documento, subscrito por mais de 200 personalidades — incluindo o coordenador do Prerrogativas, Marco Aurélio de Carvalho, o advogado Pierpaolo Bottini e a senadora Teresa Leitão (PT-PE) —, define a data como um dia de celebração da vitória democrática.

"O dia demarca, primeiramente, uma festa cívica histórica em defesa da democracia", diz um trecho do manifesto. O texto alerta, contudo, para a necessidade de vigilância contínua da sociedade contra ameaças, sejam elas internas ou externas, à soberania do país e ao Estado Democrático de Direito.