Poder e Governo

Lewandowski se reúne com Lula e confirma saída do Ministério da Justiça

Ministro da Justiça já havia sinalizado intenção de deixar o cargo nesta semana; petista ainda não tem substituto

Agência O Globo - 08/01/2026
Lewandowski se reúne com Lula e confirma saída do Ministério da Justiça

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, reuniu-se com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para formalizar sua saída do governo. Segundo dois auxiliares próximos ao presidente, Lewandowski deve deixar o cargo ainda nesta semana.

A decisão foi discutida antes da cerimônia no Palácio do Planalto que marcou os três anos dos ataques golpistas de 8 de janeiro. Na ocasião, o ministro discursou no evento e acompanhou Lula na descida da rampa do Palácio.

De acordo com interlocutores, Lewandowski comunicou a Lula que pretende deixar o governo por motivos pessoais, destacando o desejo de dedicar mais tempo à família e aos netos.

O presidente Lula ainda não definiu um substituto para o comando da pasta. Não está descartada a possibilidade de uma transição temporária, com um secretário assumindo interinamente o Ministério da Justiça.

Entre os nomes cotados para assumir o cargo está o advogado-geral da Petrobras, Wellington Cesar Lima e Silva. Ex-secretário de Assuntos Jurídicos da Casa Civil, Lima e Silva é considerado uma pessoa de confiança do presidente, segundo diferentes auxiliares.

Nos bastidores, Lewandowski já vinha afirmando que cumpriu sua missão à frente do ministério. O anúncio de Lula sobre a intenção de criar o Ministério da Segurança Pública, separando-o da Justiça, também causou desconforto na cúpula da pasta no fim do ano passado.

Em 23 de dezembro, Lewandowski já havia manifestado ao presidente, em conversa no salão de autoridades do Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, seu desejo de deixar o cargo. Lula, na ocasião, afirmou que a decisão não afetaria a amizade entre ambos, mas solicitou tempo para escolher um substituto.

Lewandowski assumiu o Ministério da Justiça em fevereiro de 2024, após se aposentar do Supremo Tribunal Federal (STF). Antes dele, a pasta era comandada por Flávio Dino, que deixou o posto para ocupar a vaga aberta com a aposentadoria de Rosa Weber na Corte.

Durante sua gestão, o Ministério da Justiça priorizou a elaboração da PEC da Segurança Pública, que visa constitucionalizar o Sistema Único de Segurança Pública (SUSP). A proposta prevê que a União estabeleça diretrizes gerais para segurança e defesa social, incluindo a padronização de protocolos, estatísticas e sistemas de informação entre os entes federativos.

Entre as ações implementadas, destaca-se o novo decreto de armas, que transferiu a fiscalização de colecionadores, atiradores e caçadores (CACs) do Exército para a Polícia Federal. Após a fuga de detentos na Penitenciária Federal de Mossoró, o ministério reforçou as estruturas físicas e revisou os protocolos de segurança nos cinco presídios federais de segurança máxima.

Além disso, a pasta coordenou o apoio federal ao Rio Grande do Sul durante as enchentes de 2024 e acompanhou a finalização do inquérito sobre o caso Marielle Franco pela Polícia Federal.