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Quem é o presidente do Conselho Federal de Medicina que será ouvido pela PF a pedido de Moraes

José Hiran da Silva Gallo ordenou a abertura de uma sindicância para apurar o atendimento médico prestado ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na prisão

Agência O Globo - 08/01/2026
Quem é o presidente do Conselho Federal de Medicina que será ouvido pela PF a pedido de Moraes
O presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM), José Hiran da Silva Gallo - Foto: Reprodução / Agência Brasil

O presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM), José Hiran da Silva Gallo, , do Supremo Tribunal Federal (STF), após ter determinado uma sindicância para apurar as . A manifestação ocorreu nesta quarta-feira, após o ex-presidente cair e bater a cabeça na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, e ser encaminhado para realizar exames em um hospital. Conforme apurou o GLOBO, dos servidores ao ser questionado sobre machucados.

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O CFM afirmou ter recebido "denúncias formais" sobre a condição do ex-presidente na prisão, além de ressaltar que as declarações públicas sobre seu quadro de saúde "causam extrema preocupação". Procurada pelo GLOBO, contudo, a autarquia federal não detalhou do que se tratam as denúncias obtidas e disse que a sindicância está sob sigilo, sem que seja possível dar detalhes sobre o processo.

Condecorado no governo Bolsonaro

Moraes anulou a sindicância e determinou que o presidente do CFM seja ouvido pela Polícia Federal em até 10 dias para explicar a conduta da autarquia e apurar eventual responsabilidade criminal. José Hiran da Silva Gallo é médico ginecologista e obstetra, e está na presidência desde abril de 2022.

Dentre as condecorações recebidas, está a Ordem do Mérito Médico na classe de Grande-Oficial, concedida pela Presidência República durante o governo de Jair Bolsonaro. Ele recebeu a honraria em agosto de 2022, já como presidente do CFM, do então ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, em um evento que também condecorou outros conselheiros da autarquia.

Em outubro de 2024, ele foi reeleito por unanimidade pelos membros do plenário do Conselho. Ele também comanda a Câmara Técnica de Bioética e o Programa Doutoral em Bioética em parceria com a Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP), em Portugal, onde fez pós-doutorado.

Também é membro da Academia de Medicina de Rondônia e da Academia Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia, e vice-presidente da Sociedade Brasileira de Bioética Médica (SBBM). No governo de Rondônia, estado onde também presidiu o Conselho Regional local, ele presidiu hospitais, maternidades e chegou a atuar na Secretária Estadual de Saúde.

Entenda a decisão de Moraes

Para o ministro, a sindicância proposta pelo Conselho é "flagrantemente ilegal" e configura desvio de finalidade, razão pela qual ficam proibidos, em âmbito nacional e estadual, quaisquer procedimentos do CFM com esse objeto.

Nesta quarta-feira, a autarquia federal responsável pela fiscalização técnica e ética da medicina determinou a instauração de uma sindicância para apurar denúncias que "expressam inquietação quanto à garantia de assistência médica" ao ex-presidente após a queda.

O CFM afirma que Bolsonaro tem um "histórico clínico de alta complexidade", com sucessivas cirurgias abdominais e soluços intratáveis, além de outras comorbidades.

"Os relatos de crises agudas de características diversas, episódio de trauma decorrente de queda, o histórico clínico de alta complexidade, sucessivas intervenções cirúrgicas abdominais, soluços intratáveis, e outras comorbidades em paciente idoso, demandam um protocolo de monitoramento contínuo e imediato", diz a nota divulgada pelo Conselho.

Bolsonaro não acionou protocolo

O ex-presidente Bolsonaro não acionou o protocolo de urgência necessário após cair e bater a cabeça na Superintendência da PF, na madrugada de segunda para terça-feira. Conforme apurou o GLOBO, Bolsonaro, ao acordar pela manhã, contou aos servidores que caiu da cama, mas que estava tudo bem e que não precisava de ajuda.

O ex-presidente continuou no quarto após se machucar, sem avisar ninguém. Pela manhã, ao entrar no local, policiais penais viram um machucado na testa, mas Bolsonaro falou que não era nada. A queda foi revelada pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, nesta terça-feira, que soube do ocorrido após ir visitá-lo na prisão.

Segundo ela, porém, Bolsonaro só foi atendido quando foi chamado para a visita, e teria se machucado por bater a cabeça em um móvel após uma "crise". Carlos afirmou que encontrou o pai "artodoado", com hematoma no rosto e sangramento nos pés.

Em nota, a corporação afirmou que Bolsonaro foi examinado por um médico da PF que não identificou a necessidade de encaminhamento hospitalar, e que eventual ida ao hospital depende de autorização do Supremo.

Logo depois do ocorrido, Moraes havia negado um pedido da defesa do ex-presidente para que ele fosse transferido a um hospital. Ele considerou que não havia "nenhuma necessidade de remoção imediata", solicitou a apresentação do laudo do atendimento na PF e pediu para os advogados indicarem quais exames devem ser feitos.

Ontem, a defesa afirmou que Bolsonaro seria submetido a uma tomografia e uma ressonância magnética do crânio e a um eletroencefalograma. Os exames constataram que Bolsonaro tem galos nas regiões temporal e frontal do lado direito da cabeça, . Ele já retornou à prisão.