Poder e Governo
Justiça determina remoção de vídeo em que deputado do PL associa PT ao narcotráfico
Partido solicitou retirada de conteúdo considerado 'narrativa sabidamente falsa' das redes. Decisão aponta que vídeo ultrapassa o campo da crítica legítima.
O Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) determinou que o Instagram exclua uma publicação do deputado federal Paulo Bilynskyj (PL-SP), na qual ele associa o Partido dos Trabalhadores (PT) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao narcotráfico na América Latina. O vídeo foi divulgado no último domingo, após a prisão do presidente venezuelano pelos Estados Unidos.
Acusações e contexto
Na publicação, Bilynskyj afirma que o narcotráfico financia a esquerda latino-americana, o PT e o presidente Lula. O deputado escreveu: "Tem que ser preso", referindo-se ao petista, e também divulgou uma foto de Lula ao lado de Nicolás Maduro.
O processo contra o presidente da Venezuela, que tramitará no Distrito Sul de Nova York, envolve acusações de conspiração para narcoterrorismo, importação de cocaína, posse de armamento pesado e uso de metralhadoras e dispositivos destrutivos.
Pedido do PT e decisão judicial
O PT ingressou com ação solicitando a remoção imediata do conteúdo e indenização de R$ 30 mil. Para o juiz Carlos Eduardo Batista dos Santos, da 2ª Vara Cível de Brasília, é preciso diferenciar opiniões baseadas em "condutas civilmente lícitas" daquelas que representem incitação à violência ou ofensa direta a direitos da personalidade.
"Ainda que o debate político seja espaço natural para o embate de ideias, a imputação de ilícitos penais, sem qualquer lastro probatório, ultrapassa o campo da crítica legítima e ingressa na esfera do ilícito civil", destacou o magistrado na decisão.
Segundo o juiz, a rápida disseminação de informações nas redes sociais pode causar "prejuízo à imagem institucional" do PT, configurando risco concreto de dano irreparável ou de difícil reparação.
A decisão, assinada na noite de quarta-feira, não estipulou multa diária em caso de descumprimento, pois o comando para exclusão será enviado via mandado ao Instagram pelo sistema Processo Judicial Eletrônico (PJE). Na manhã desta quinta-feira (8), o vídeo ainda estava disponível na rede social.
'Narrativa sabidamente falsa'
Segundo o PT, a publicação propaga "narrativa sabidamente falsa e difamatória sem qualquer lastro fático ou jurídico", com ampla circulação e alto engajamento, agravada por ter sido divulgada em período pré-eleitoral.
"É absolutamente inaceitável que o requerido utilize o tema como pretexto para insuflar narrativa falsa e difamatória, com o claro objetivo de degradar a honra objetiva do requerente perante a opinião pública", afirma o documento apresentado pelo partido.
O PT ressalta ainda que o objetivo da ação não é promover "qualquer espécie de censura", mas sim evitar que acusações infundadas sirvam para macular a honra alheia e incitar o ódio político.
O partido destaca que, devido à popularidade do deputado, com 1,4 milhão de seguidores, "ofensas dessa natureza tendem a se propagar com rapidez". O texto lembra que se trata de "acusação recorrente, reiteradamente desmentida, inclusive por decisões judiciais que determinaram a remoção de conteúdos associando o PT ao narcotráfico ou a organizações criminosas".
Mais lidas
-
1VIDA SILVESTRE
Médico-veterinário registra nascimento e primeiros dias de filhotes de tucanuçu
-
2PALMEIRA DOS ÍNDIOS
Prefeitura regulamenta rateio das sobras do FUNDEB e professores cobram transparência nos valores
-
3ENERGIA NUCLEAR
Financiamento nuclear do BRICS liderado pelo Brasil pode reequilibrar acesso a tecnologias
-
4EQUILÍBRIO MILITAR
EUA manifestam preocupação com avanço da aviação embarcada chinesa
-
5INTERNACIONAL
Crescimento econômico da China deve dobrar o dos EUA em 2026, aponta Academia Russa de Ciências