Poder e Governo
Lula acena a Hugo Motta e propõe instituto federal em reduto do presidente da Câmara
Apesar do gesto do governo, Motta não comparecerá ao ato pelos três anos do 8 de Janeiro
O presidente Lula enviou ao Congresso, na última sexta-feira, o primeiro projeto de lei de 2024, propondo a criação do Instituto Federal do Sertão Paraibano, com sede em Patos, cidade que é reduto eleitoral do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta.
Seis dias após o envio da proposta, Motta decidiu não participar do ato promovido pelo Palácio do Planalto para marcar os três anos dos ataques de 8 de janeiro de 2023, evento previsto para esta quinta-feira, em Brasília.
O projeto prevê o desmembramento do Instituto Federal da Paraíba, estabelecendo Patos como sede administrativa da nova instituição. No município, o pai de Hugo Motta, Nabor Wanderley (Republicanos), foi reeleito prefeito já no primeiro turno das eleições municipais de 2024.
Além de comandar a prefeitura, Nabor Wanderley tenta se viabilizar como candidato ao Senado em 2026, compondo a chapa de Lula no estado. No Planalto, auxiliares do presidente destacam que o projeto atende a uma demanda antiga da região e possui viabilidade técnica.
Apesar do gesto do governo, Motta optou por não participar da cerimônia do 8 de Janeiro. Nos bastidores da Câmara, a avaliação é que o presidente da Casa tem adotado postura de cautela diante de eventos de forte simbolismo político promovidos pelo Planalto, especialmente em meio às tensões sobre a dosimetria das penas dos condenados pelos atos golpistas e às expectativas em torno de um possível veto presidencial.
O texto do projeto determina que a criação do novo instituto será regulamentada por ato do Poder Executivo federal. Até a realização de consulta à comunidade escolar, o reitor será nomeado em caráter temporário pelo Ministério da Educação, com prazo de até cinco anos para a escolha definitiva.
Ausência dias depois
A assessoria de Hugo Motta confirmou sua ausência, informando que o deputado está fora de Brasília e em período de férias parlamentares. O presidente da Câmara também não participou do evento realizado no ano passado, quando o governo promoveu a segunda solenidade oficial em memória da invasão às sedes dos Três Poderes.
Idealizado pelo Planalto como gesto institucional de reafirmação da defesa da democracia e unidade entre os Poderes, o ato deste ano ocorre em um momento sensível na relação entre Executivo e Congresso. Aliados de Motta ressaltam que a ausência não deve ser interpretada como gesto político contra o governo e afirmam que não houve alteração de agenda devido à cerimônia.
Nos bastidores, a expectativa é que o presidente da Câmara siga equilibrando-se entre a base governista e a oposição ao longo de 2026, em um cenário político ainda marcado por disputas sensíveis e forte polarização.
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