Poder e Governo

Hugo Motta não irá a ato do 8 de Janeiro em meio a possível veto de Lula à dosimetria

Presidente do Senado, Davi Alcolumbre, ainda não confirmou presença e também deve se ausentar

Agência O Globo - 06/01/2026
Hugo Motta não irá a ato do 8 de Janeiro em meio a possível veto de Lula à dosimetria
Hugo Motta, presidente da Câmara dos Deputados - Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, não participará do ato promovido pelo governo federal para marcar os três anos dos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023. Segundo sua assessoria, Motta cumpre compromissos fora de Brasília e está em período de férias parlamentares.

Interlocutores afirmam que Motta já havia comunicado ao Palácio do Planalto sua ausência na solenidade. No ano passado, o presidente da Câmara também não compareceu à cerimônia oficial em memória da invasão às sedes dos Três Poderes.

O evento deste ano acontece em meio ao debate sobre o projeto que altera a dosimetria das penas para condenados pelos ataques golpistas, aprovado pelo Congresso no fim de 2025 e atualmente aguardando decisão do presidente Lula. No Palácio do Planalto, a possibilidade de veto ao texto é considerada alta, o que reacendeu tensões com o Legislativo, especialmente na Câmara, onde a proposta teve apoio expressivo.

Parlamentares avaliam que a discussão sobre a dosimetria contaminou o ambiente político do 8 de Janeiro, transformando o evento em um novo teste para a relação entre Executivo e Congresso neste início de 2026. Nesse contexto, a ausência do presidente da Câmara é interpretada como um gesto de cautela institucional: não há adesão explícita ao ato do governo, mas tampouco confronto direto.

Líderes da Casa ponderam que, diante da iminência de uma decisão presidencial, parte do Congresso prefere evitar exposição em um evento que pode adquirir contornos de disputa política. O entendimento é que um eventual veto tende a gerar novo desgaste entre os Poderes, reduzindo o interesse dos dirigentes do Legislativo em uma participação mais ativa na cerimônia. A expectativa nos bastidores é de presença majoritariamente de integrantes da base governista.

O Planalto mantém a realização do ato, reforçando seu caráter institucional, voltado à defesa da democracia e à memória dos ataques. Diante do impasse, auxiliares do governo têm aconselhado Lula a adiar a decisão sobre o veto, para evitar que o debate interfira diretamente no simbolismo do evento.

Alcolumbre não confirmou presença

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, ainda não confirmou presença e, segundo interlocutores, pode seguir o mesmo caminho de Motta e se ausentar da cerimônia. Essa indefinição reforça a percepção de que, neste ano, o 8 de Janeiro ocorre em um ambiente mais cauteloso no Congresso, marcado por cálculos políticos e pela expectativa em torno da decisão do Planalto sobre a dosimetria.

Aliados de Motta afirmam que sua ausência não deve ser interpretada como um gesto político direcionado ao governo e destacam que não houve alteração de agenda em função do evento. Ainda assim, a falta do presidente da Câmara evidencia as dificuldades do Executivo em ampliar a presença das lideranças do Legislativo em um momento de relação sensível entre os Poderes.