Poder e Governo
Com pautas ligadas ao MST, PT e PL miram polarização para sucessão de Eduardo Leite no governo do Rio Grande do Sul
Governador, que tentará Senado, busca aliança em torno do vice
De olho na sucessão do governador (PSD) no Rio Grande do Sul, PT e PL tentam polarizar a eleição estadual com palanques “pró” e “anti-MST” em 2026. O partido do presidente Luiz Inácio da Silva apresentou no fim do ano passado, a pré-candidatura ao governo de Edegar Pretto (PT), filho de um dos fundadores do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Já a base do ex-presidente Jair Bolsonaro montou uma chapa encabeçada pelo deputado federal Luciano Zucco (PL-RS), que presidiu a CPI do MST em 2023 e usou a comissão para atacar o movimento.
De presos a foragidos:
Lembrete:
Os movimentos contrastam com a dificuldade de Leite em apresentar um sucessor. O governador, que deve ser candidato ao Senado, planeja apoiar o vice-governador Gabriel Souza (MDB), mas ainda vê aliados de outros partidos, como PDT e PSDB, se colocarem na disputa.
Pesquisa Quaest divulgada em agosto do ano passado apontou que Zucco empatava tecnicamente na liderança das intenções de voto com a ex-deputada Juliana Brizola (PDT). Ela disputou a eleição à prefeitura de Porto Alegre com apoio de Leite em 2024. Pré-candidata ao governo, Juliana foi sondada por integrantes do PT para fazer uma aliança em 2026, mas as conversas empacaram por divergências sobre quem ocuparia a cabeça de chapa.
Edegar, que acabou indicado pelo partido, aparecia com 11% na pesquisa, cerca de dez pontos atrás de Juliana e Zucco. Conta a seu favor, por outro lado, o bom desempenho na eleição de 2022 ao governo, quando quase tirou o próprio Leite do segundo turno contra Onyx Lorenzoni (PP-RS), que acabou derrotado.
Desde 2023, Edegar dirige a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) no governo Lula, em uma nomeação que foi vista como vitória do MST no início da gestão. Seu pai, o ex-deputado Adão Pretto, falecido em 2009, foi uma liderança do movimento no Sul, berço do MST.
Reservadamente, integrantes do PT mostraram preocupação com a indicação, devido à avaliação de que a vinculação ao MST gera mais resistências do que vantagem eleitoral no estado. O presidente da Conab, no entanto, afirma que tem aval de Lula e “resultados concretos” para apresentar aos produtores rurais:
— Tenho muito orgulho da minha origem, mas, na Conab, procurei sempre mostrar que sabemos sentar à mesa para dialogar, respeitando as diferenças e trabalhando pelo bem do Brasil.
O PT também fechou sua chapa ao Senado, apresentando como pré-candidatos o deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS) e a ex-deputada Manuela D’Ávila, recém-filiada ao PSOL.
Invasões na mira
O PL já escolheu dois candidatos ao Senado para a chapa de Zucco: os deputados federais Ubiratan Sanderson (PL) e Marcel Van Hattem (Novo). Postulante ao governo, Zucco ganhou notoriedade em 2023 ao presidir a CPI do MST na Câmara, instalada para investigar o movimento após as ações do “abril vermelho” no primeiro ano de governo Lula.
Para Sanderson, a chapa do PL ao governo leva vantagem, em uma eventual disputa contra o PT, pela vinculação à agenda anti-MST:
— Há uma aversão popular às campanhas de invasão e destruição de propriedades produzidas por movimentos como o MST. Bandeiras a favor do direito de propriedade e contrárias a invasões de terra estarão em alta.
Já o atual governador tenta unir sua base em torno da candidatura do vice, que registrava 5% das intenções de voto, em agosto. Nome de confiança de Leite, Souza tem o desafio de atrair o eleitorado que aprova o governo, e que hoje mostra preferência pela candidatura de Juliana Brizola. A ex-deputada tem 26% da preferência entre os que consideram positiva a gestão Leite.
Também aliada do governador, a ex-prefeita de Pelotas Paula Mascarenhas (PSDB) se apresentou como pré-candidata ao governo. Ela ainda avalia migrar para o PSD, seguindo o movimento de Leite.
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