Poder e Governo

Mulheres de políticos de partidos da direita à esquerda preparam candidaturas ao Congresso

Esposas de Ronaldo Caiado, Guilherme Boulos e JHC devem se lançar nas eleições de 2026

Agência O Globo - 04/01/2026
Mulheres de políticos de partidos da direita à esquerda preparam candidaturas ao Congresso
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

O ano de 2026 promete trazer protagonismo a mulheres de políticos que buscam se lançar no pleito deste ano. Nomes como o da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, das primeiras-damas de Goiás, Gracinha Caiado, e de Maceió, Marina Cândia, e da advogada Natalia Szermeta Boulos, casada com o ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, são cotados para estar nas urnas em disputas ao Senado e à Câmara dos Deputados em seus respectivos estados.

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Mulher do ex-presidente Jair Bolsonaro, Michelle é vista como uma das principais apostas do PL para 2026. Ela, que chegou a ser cotada como candidata à Presidência no lugar do marido, preso após condenação no Supremo Tribunal Federal (STF), é tida como forte concorrente ao Senado pelo Distrito Federal. À frente do PL Mulher, posto que a levou a fazer agendas pelo país inteiro, Michelle ainda não anunciou se de fato será candidata.

Quem já bateu o martelo sobre sua pré-candidata foi Gracinha Caiado. Após 35 anos de casamento com o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União), e acompanhado de perto seu trabalho, ela conta que se sente pronta para construir sua trajetória política:

— Começaram a falar meu nome para a disputa e uma amiga me contou. Foi só aí que comecei a pensar no assunto e resolvi conversar em casa. Minhas filhas não queriam, por saberem das dificuldades da vida pública, e o Ronaldo deixou que eu tomasse minha decisão. Tenho certeza que ele vai apoiar minha campanha — diz Gracinha, que espera que a popularidade do marido em Goiás reforce sua campanha.

Dobradinha em Alagoas

Em Alagoas, a briga pelas duas vagas ao Senado deve reunir alguns dos principais nomes políticos do estado, com a busca pela reeleição de Renan Calheiros (MDB) e a estreia na disputa do ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP). Correndo por fora, estão os entusiastas da candidatura da primeira-dama de Maceió, Marina Candia, casada com o prefeito João Henrique Caldas, o JHC. Ela, porém, ainda não confirma se aceitou o desafio.

— Ainda estou avaliando uma candidatura, é algo que precisa ser discutido com JHC e com o grupo político do qual ele faz parte. Independente disso, a política não tem lugar cativo para políticos A ou B. É o povo quem escolhe seus representantes — afirma.

Caso o nome dela se confirme, Marina também poderá fazer campanha ao lado do marido, já que JHC é cotado ao governo de Alagoas. Ela conta que foi justamente a convivência com a vida pública dele que a despertou para a política.

Já a candidatura de Virgínia Mendes, casada com o governador de Mato Grosso, Mauro Mendes, para deputada federal tem sido incentivada por políticos do estado. Entre eles, está o presidente da Assembleia Legislativa, Max Russi, que declarou apoio. Virgínia, no entanto, considera cedo a discussão. Sendo sim ou não, afirma que terá o apoio do marido.

— O Mauro sempre apoiou meu trabalho social. Tenho certeza de que continuará me apoiando em qualquer missão — disse.

A cientista política Mayra Goulart, coordenadora do Laboratório de Partidos, Eleições e Política Comparada (Lappcom), analisa que a transferência do capital do político para as esposas acontece mais no campo da direita:

— Há uma estratégia desses partidos, para ampliarem suas votações entre o eleitorado feminino, de lançar candidatas. As mulheres saem fortalecidas, mas isso não reflete um fortalecimento de pautas feministas.

Aposta da esquerda em SP

Fugindo à regra apontada por Mayra, o PSOL espera que o prestígio de Boulos junto à esquerda se converta em votos para a sua mulher, a advogada Natalia Szermeta Boulos, que anunciou sua pré-candidatura à Câmara por São Paulo. Ela, no entanto, garante que não irá atrelar sua imagem à do marido:

— Tenho mais de 20 anos de militância e atuação no Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), sou militante de esquerda bem antes de conhecer o Guilherme. Quem me trata simplesmente como a “mulher do Boulos” usa o machismo mais escancarado.

Há ainda casos em que a eleição promete se tornar um racha familiar com a entrada da esposa no cenário. É o caso da família Jordy, onde Lais Jordy, casada com o deputado federal Carlos Jordy (PL), já anunciou que pretende disputar o posto de deputada estadual pelo Rio de Janeiro em 2026. A candidatura da mulher do deputado deve atrair votos que poderiam ser de seu cunhado, o deputado estadual Renan Jordy (PL), que tentará a reeleição.