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Vorcaro nega fraude em carteiras de crédito e critica BC durante depoimento no STF

Dono do banco foi preso em novembro enquanto embarcava para os Emirados Árabes Unidos, no âmbito de investigação sobre suposto esquema de carteiras de crédito falsas.

Agência O Globo - 31/12/2025
Vorcaro nega fraude em carteiras de crédito e critica BC durante depoimento no STF
Daniel Vorcaro - Foto: Reprodução

O dono do banco Master, Daniel Vorcaro, negou a venda de carteiras de crédito falsas durante depoimento presencial no Supremo Tribunal Federal (STF). O interrogatório foi acompanhado por um juiz auxiliar do gabinete do ministro Dias Toffoli, relator do caso. Além de Vorcaro, também prestaram depoimento o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, e o diretor de Fiscalização do Banco Central (BC), Ailton de Aquino Santos.

As investigações apontam que o banco Master teria negociado carteiras de crédito falsas com o BRB, numa tentativa de driblar a fiscalização do Banco Central. Documentos reunidos pela Polícia Federal (PF) identificaram inconsistências nessas operações.

Vorcaro afirmou à PF que, até 17 de novembro, data de sua prisão e um dia antes da decisão do BC pela liquidação do banco, o Master era solvente e não possuía compromissos em aberto. Ele destacou que havia articulado uma solução de mercado para a instituição, por meio da venda para um grupo de investidores liderado pelo Grupo Fictor, e que essa negociação foi comunicada oficialmente ao BC.

O banqueiro foi preso no Aeroporto Internacional de Guarulhos, quando tentava embarcar para os Emirados Árabes Unidos, onde, segundo ele, concluiria a venda do banco.

Vorcaro ressaltou que o Master era fiscalizado diariamente pelo BC e que, nos últimos meses, aportou pessoalmente R$ 6 bilhões para garantir a saúde financeira da instituição. Segundo o empresário, clientes que realizaram aplicações sacaram R$ 10 bilhões ao longo do ano e todos receberam seus investimentos de volta.

Segundo a defesa de Vorcaro, caso a liquidação fosse revertida, ele conseguiria ressarcir todos os investidores, evitando prejuízos.

Negativa de fraude

Vorcaro negou qualquer venda de carteiras de crédito falsas, conforme apontado na investigação da PF, e frisou que o negócio com o BRB não chegou a ser concluído, afastando a possibilidade de prejuízo ao banco público. Ele afirmou ainda que o Master substituiu essas carteiras por outros ativos, com deságio de 30%, todos auditados. A versão foi confirmada por Paulo Henrique durante a acareação.

Procurada, a defesa de Vorcaro afirmou que continuará respeitando o sigilo do processo, mas destacou que a audiência foi "uma grande oportunidade de esclarecimento da verdade". A defesa ressaltou que não houve contradição entre os depoimentos de Vorcaro e Paulo Henrique, e que ficou "cabalmente esclarecido que não houve nenhuma fraude que tenha atingido o BRB".

Acareação

Após os interrogatórios, a PF realizou uma acareação entre Vorcaro e Paulo Henrique. A defesa do ex-presidente do BRB negou a existência de contradições, apontando apenas divergências na forma como os fatos foram relatados. Segundo a defesa, durante a acareação, houve convergência entre as versões.

Inicialmente, o ministro Toffoli havia determinado acareação entre os três envolvidos. Após críticas quanto ao formato, o STF informou que caberia à PF decidir sobre a necessidade do confronto de versões.

A ausência de despacho formalizando a mudança gerou discussão entre a delegada responsável pela investigação e o juiz auxiliar de Toffoli. O ambiente foi descrito como "tenso" por presentes. O juiz precisou contatar Toffoli, que autorizou oralmente a realização dos depoimentos.