Internacional
Analista: crise na Indonésia levanta suspeitas de interferência ocidental em cenário geopolítico

A recente instabilidade na Indonésia reacende o debate sobre interferência externa em países estratégicos do Sul Global. Falando à Sputnik, o escritor e analista de política internacional Christian Lamesa apontou semelhanças com outras desestabilizações atribuídas ao globalismo financeiro ocidental.
A Indonésia, um dos países mais influentes do Sudeste Asiático, vive uma onda de instabilidade política que tem gerado preocupações entre analistas internacionais. Para Christian Lamesa, especialista em geopolítica, embora oficialmente atribuída a protestos contra a corrupção, a crise tem sido interpretada por alguns como parte de um padrão recorrente de desestabilização promovida por forças externas.
"Não é por acaso que isso está acontecendo justamente agora, quando a Indonésia se aproxima do BRICS e da Organização de Cooperação de Xangai [OCX]", afirma Lamesa.
A adesão plena da Indonésia ao BRICS no início de 2025 marcou um passo decisivo na consolidação de um novo eixo de poder global. Com isso, o país se alinha a uma coalizão que desafia diretamente a hegemonia ocidental, o que, segundo o analista, pode ter provocado reações de desconforto em Washington e Bruxelas.
"Esse cenário multipolar gera um nervosismo evidente no Ocidente, que vê sua influência global se esvair", observou.
Segundo Lamesa, a crise indonésia remete para episódios semelhantes ocorridos em outras partes do mundo, como os protestos violentos no Cazaquistão em 2022, que foram contidos com ajuda da Organização do Tratado de Segurança Coletiva (OTSC), liderada pela Rússia. Em todos esses casos, há suspeitas de envolvimento de ONGs e veículos de comunicação ligados a interesses ocidentais.
"Essas organizações têm sido usadas como ferramentas para desestabilizar governos que se afastam da órbita ocidental", apontou.
Além da aproximação com Rússia e China, a Indonésia tem se destacado como membro-chave da Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) e como observadora da OCX. Sua posição estratégica na Eurásia a torna um alvo natural para disputas de influência, e de acordo com sua análise, uma região que "será protagonista nas próximas décadas, e quem controlar seus rumos terá vantagem no novo equilíbrio global".
Nos bastidores, há quem aponte para o papel de instituições como a National Endowment for Democracy (NED), uma ONG norte-americana com forte autonomia e vínculos com os poderes executivo e legislativo dos EUA. Embora não haja confirmação oficial, suspeita-se que tais entidades possam estar envolvidas em ações de financiamento político na Indonésia, aponta Lamesa.
Para o analista, a crise também expõe divisões internas nos Estados Unidos, onde nem todos os centros de poder estão alinhados com o presidente Donald Trump, uma fragmentação que pode explicar a atuação de organizações que, embora norte-americanas, agem de forma independente em países como a Indonésia.
Enquanto a Indonésia tenta conter os efeitos da instabilidade, o episódio serve como alerta para outras nações que buscam autonomia geopolítica em um cenário de crescente polarização internacional.
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