Internacional
Empresas correm de navios com vínculo chinês para evitar sanções dos EUA, diz mídia

Empresas de navegação com financiamento chinês correm para reestruturar seus contratos antes que as novas regras dos EUA entrem em vigor em outubro, impondo taxas milionárias a navios considerados de propriedade chinesa. A medida já está provocando mudanças no mercado global de leasing naval.
Empresas de navegação com financiamento chinês estão em busca de alternativas para evitar taxas milionárias impostas pelos Estados Unidos a partir de outubro. As novas regras, propostas pelo governo Trump, podem classificar navios com acordos de leasing chineses como propriedade chinesa, mesmo sem outras ligações com o país, gerando custos elevados em caso de visita a portos americanos.
De acordo com o Financial Times (FT), essas taxas variam de US$ 50 (R$ 271,62) a US$ 140 (R$ 760,54) por tonelada líquida, o que significa que um navio porta-contêineres pode pagar até US$ 2,8 milhões (cerca de R$ 15,1 milhões) por visita, enquanto um navio petroleiro de grande porte pode chegar a US$ 14 milhões (mais de R$ 75,9 milhões). A perspectiva de tais encargos está provocando uma reestruturação no mercado de financiamento naval, com armadores buscando refinanciar seus contratos antes do vencimento.
James Lightbourn, da Cavalier Shipping, afirmou ao FT que os acordos de leasing com instituições chinesas se tornaram "problemáticos", levando empresas a encerrar esses contratos. Um executivo do setor confirmou que sua companhia já havia encerrado vários acordos, temendo que fossem enquadrados como propriedade chinesa sob as novas regras.
Além da taxa de propriedade, há uma taxa separada para embarcações construídas em estaleiros chineses, que pode chegar a US$ 33 (R$ 179,27) por tonelada líquida. No entanto, os operadores que se enquadrarem em ambas as categorias pagarão apenas a taxa de propriedade, o que ainda representa um custo significativo.
O financiamento chinês para navios cresceu após a crise de 2008, quando os bancos ocidentais reduziram sua atuação no setor. Hoje, estima-se que os US$ 100 bilhões (aproximadamente R$ 542,7 bilhões) em acordos chineses representem cerca de 15% do total de US$ 600 bilhões (mais de R$ 3,2 trilhões) do financiamento naval global, tornando a exposição ao risco regulatório dos EUA uma preocupação relevante, segundo a apuração.
Grandes operadoras, incluindo empresas de transporte de contêineres e energia, estão se afastando dos contratos chineses. O grupo grego Okeanis Eco Tankers, por exemplo, substituiu três acordos de leasing por US$ 195 milhões (cerca de R$ 1,05 bilhão) em empréstimos de bancos não chineses, buscando maior resiliência frente a riscos geopolíticos.
Ainda segundo a apuração, além das novas taxas, a melhora do lucro do setor e o retorno de bancos europeus ao financiamento naval estão permitindo que operadores obtenham condições mais vantajosas, acelerando a saída dos contratos chineses.
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