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A flor da praça Sinimbu

Maria Flor era uma moça bonita, 18 anos, por onde passava chamava a atenção, estudava num colégio do Estado e morava perto da Praça Sinimbu. Seu primo Eraldo, todo domingo, descia pela Rua do Imperador para visitar os tios, desfrutar um mergulho na praia da Avenida da Paz, comer a feijoada domingueira e conversar com sua paixão, a prima, Maria Flor. Sua timidez nunca o deixou declarar aquele amor, porém todos notavam aquela paixão escancarada. Ao chegar à casa dos tios cumprimentava-os formalmente, entregava um mimo, chocolate, bonequinha, à Flor que displicentemente colocava o agrado em seu quarto, muitas vezes no lixo, sem que ele visse. Maria Flor nunca acompanhava o primo à praia, preferia seu grupo de amigos entre os quais havia Bruno Aguiar, tenente da Aeronáutica que servia na Base Aérea do Recife, passava fins de semana e férias de verão em sua amada cidade, Maceió.
Certa noite Bruno e Flor iniciaram um namoro. Os dois se apaixonaram. No cinema, na praia, nos clubes, era um agarrado escandaloso para época. Bruno tinha uma moto, a namorada na garupa, abraçava-o. Ele disparava em velocidade. Maria Flor ficou mal falada, ainda não havia acontecido a revolução sexual no mundo, as moças tinham de guardar a virgindade para o casamento. Numa bela tarde, Bruno disparou com a moto, a namorada abraçada para as bandas da, praia deserta de Ipioca, cheia de coqueiros. Foram tantos os abraços e beijos, que naquela tarde acabou-se a virgindade de Maria Flor. Terminada as férias Bruno viajou transferido para a Base Aérea de Manaus. A troca de cartas quase diárias, foi esfriando. Depois de seis meses, Flor recebeu uma carta em que Bruno a liberava do namoro, não queria mentir, ele estava com uma namorada em Manaus. Flor chorou muito.
Quando Eraldo soube do término do namoro, tomou coragem com algumas talagadas de cachaça na casa do tio, declarou-se à prima prometendo ser um marido exemplar, tinha sido efetivado na Assembleia Legislativa e um futuro promissor como assessor de deputado. Maria Flor respondeu calma, gostava muito do primo, porém, jamais daria certo. Ele ficou mais triste do que era.
O tempo passou até que um dia, Maria Flor namorou Mário, um fazendeiro de Anadia, ele trabalhava com o pai na fazenda, gostava da boemia de Maceió, chegado às mulheres, apaixonou-se pela beleza e sensualidade de Maria Flor. Ele bem que tentou avançar com as mãos no corpo da namorada, mas ela falava a seu ouvido: “só depois de casar”. Os pais da moça não gostavam de Mário, o namorado da filha, quase sempre embriagado. Com seis meses de namoro eles noivaram. Flor não morria de amores, mas queria casar. O grande problema da virgindade perdida, ela resolveu perto do casamento em uma viagem ao Recife com um cirurgião plástico. O médico costurou alguns pontos. Na Lua de Mel sangrou pouco o lençol branco do Hotel Califórnia. Foram morar numa pequena casa no bairro do Farol. Maria Flor não gostou da vida de casada, Mário vivia na fazenda. Chegava em Maceió fedendo e embriagado. Certa noite durante uma discussão, Mário deu-lhe um murro. As surras ficaram frequentes. Maria Flor calava-se, infeliz.
Perto do natal ela teve uma surpresa, avistou o Capitão Bruno Aguiar, descendo à praia. Foi um abraço forte. A partir daquele encontro, vez e quando, de moto e capacete dirigiam-se a uma praia deserta. Tardes inesquecíveis de amor e mar.
Acontece que Eraldo, o primo apaixonado, descobriu a traição de Flor, enviou uma carta anônima batida à máquina. Ao ler a carta Mário ficou louco queria matá-la, porém teve que se controlar, preferiu pegar a mulher em flagrante. Fim de uma tarde quando a moto apareceu ao longe na praia da Avenida da Paz em velocidade e freou. Mário avançou com um revólver na mão. Bruno assustado, religou a moto, o marido desceu atirando. Bruno disparou com a moto. Mário mandou Maria Flor entrar no carro. Durante o percurso ele olhava a esposa chorando e cuspia em sua cara. Em casa só repetia uma palavra: puta, puta. Deu-lhe fortes tapas, amarrou-a com uma corda, retornaram ao carro. Flor chorando só pensava na morte. Ao chegar no bairro boêmio de Jaraguá, Mário parou o carro embaixo de uma boate, chamou Ana, a cafetina proprietária, sua conhecida, entregou-lhe a mulher amarrada.
- Trouxe mais uma para seu puteiro.
Ligou o carro partiu em disparada para sua fazenda. Foi assim que Maria Flor tornou-se a prostituta mais bonita e mais procurada na Zona de Jaraguá.
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