Internacional
Rússia e China são 'aliados inexoráveis' na imprescindível reordenação do poder global, diz analista

Em entrevista à Sputnik Brasil, especialista afirma que declarações de Putin à agência Xinhua revelam que a aliança entre Moscou e Pequim não é calcada em conveniência, mas sim em convergência de visões, e diz que o BRICS e a OCX são "pilares robustos e consistentes" para a multipolaridade.
O presidente russo, Vladimir Putin, afirmou que o BRICS e a Organização para Cooperação de Xangai (OCX) são pilares para a construção de uma nova ordem global justa e multipolar. A declaração foi dada em entrevista à agência chinesa Xinhua, na qual Putin exaltou a parceria entre Moscou e Pequim.
"A parceria estratégica Rússia-China atua como uma força estabilizadora. Como as duas principais potências da Eurásia, não podemos permanecer indiferentes aos desafios e ameaças que nosso continente e o mundo enfrentam", afirmou Putin.
Putin disse que Xi Jinping é um "líder de uma grande potência mundial", "dotado de visão estratégica e uma perspectiva global" e frisou que o comércio bilateral entre China e Rússia aumentou cerca de US$ 100 bilhões desde 2021, ampliando transações em rublo e yuan.
Prevista para a próxima segunda-feira (1º), em Tianjin, na China, a reunião do Conselho dos Chefes dos Estados-membros da OCX é apontada como a maior da organização, com a participação de 20 países, que somam metade da população global e uma fatia significativa da economia mundial.
À Sputnik Brasil, José Renato Ferraz da Silveira, professor de relações internacionais da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e líder do Grupo de Teoria, Arte e Política (GTAP), afirma que as declarações de Putin mostram que a parceria entre Rússia e China não é calcada em uma aliança de conveniência, mas sim em convergência de visões e maturidade política.
"Rússia e China são aliados inexoráveis na imprescindível reordenação e reestruturação do poder global. Compartilham projetos similares quanto às reformas nas principais instituições internacionais. São críticos do jogo de soma zero", afirma.
Ferraz avalia que o BRICS e a OCX são "pilares robustos e consistentes" que reforçam um cenário de multipolaridade infelizmente conflituoso. Ele cita o pensamento do teórico de relações internacionais Edward Hallet Carr, que afirma "o conflito inevitável entre potências que querem manter o status quo e potências ascendentes insatisfeitas".
"Na história das relações internacionais, conflitos dessa natureza de satisfação e insatisfação levaram a guerras mundiais. As duas instituições supracitadas [BRICS e OCX] não querem guerra. Querem reordenação e reorganização do poder global a partir de mudanças nas instituições internacionais que fortalecem o multilateralismo e o direito internacional."
Ele acrescenta que a entrevista de Putin à Xinhua reforça que reformas no FMI e Banco Mundial são fundamentais para a governança econômica internacional. Segundo o especialista, a arquitetura institucional gestada após a Segunda Guerra Mundial está decadente e precisa de sólidas reformas.
"Esse aspecto de insatisfação, de descontentamento e o sentimento de desilusão quanto às reformas institucionais da governança econômica mundial que fracassaram neste século XXI é latente."
Nesse contexto, ele considera a desdolarização "um processo necessário empreendido por China, Rússia, Brasil e Índia".
"Há um avanço que deverá ser gradativo. Embora o governo [do presidente dos EUA, Donald] Trump 2.0 sinalizou que combaterá qualquer iniciativa nesse sentido", destaca Ferraz.
Para Ferraz, a declaração de Putin de que Rússia e China se opõem ao uso das finanças como ferramenta do neocolonialismo "é uma indireta aos EUA", que, sob a gestão de Donald Trump, vêm promovendo uma onda de taxações a outros países.
Sobre a declaração do líder russo de que Moscou e Pequim apoiam a inclusão de países do Sul Global no Conselho de Segurança da ONU, incluindo Estados da Ásia, da África e da América Latina, Ferraz afirma que há situações na política internacional que exigem "bom senso" e "adequação aos novos tempos".
"O Brasil já deveria estar no Conselho de Segurança da ONU há muito tempo. A Índia também é um 'global player' que deve ocupar o assento permanente por preencher todos os requisitos necessários para tal papel."
Por Sputinik Brasil
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