Política
Ex-ministro de Bolsonaro, Queiroga sofre reveses e até irmão apoia rival na eleição de João Pessoa
Político que comandou a Saúde tenta se eleger prefeito com ajuda de ex-presidente
Ministro da Saúde de Jair Bolsonaro durante a pandemia de Covid-19, o cardiologista Marcelo Queiroga (PL) tem patinado na tentativa de seguir na carreira política e, a quatro meses das eleições, tem enfrentado reveses em sua candidatura à prefeitura de João Pessoa. Até agora, o ex-ministro atraiu o apoio apenas do Novo, que indicou um nome para ser seu vice. O médico enfrenta oposição até mesmo do irmão, Marco Antônio Queiroga, que vai disputar uma cadeira de vereador pelo PDT e declarou apoio ao atual prefeito, Cícero Lucena (PP).
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Sem nunca ter disputado um cargo público, Queiroga aposta na boa votação que o ex-chefe teve na cidade em 2022, quando obteve 228,3 mil votos, o equivalente a 49,9%. O resultado, a apenas dois décimos do atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que registrou 50,1%, foi o segundo melhor de Bolsonaro entre as capitais do Nordeste, que só venceu o petista em Alagoas.
Em abril, Bolsonaro foi à capital paraibana para tentar alavancar a pré-campanha de seu ex-ministro. Os dois participaram de um ato público e desfilaram em carro aberto nas ruas da cidade.
O ex-titular da pasta da Saúde também tem proximidade com Michelle Bolsonaro, ex-primeira dama e presidente do PL Mulher, que já participou de atos de sua pré-campanha.
— Talvez João Pessoa seja uma das cidades em que Bolsonaro esteja mais forte no Nordeste. Na frente de João Pessoa, só Maceió — disse Queiroga.
O ex-ministro minimiza a falta de apoio do irmão, que já foi vereador na cidade por dois mandatos:
— Não vejo isso ter qualquer tipo de interferência na minha eleição.
Nas redes sociais, Queiroga tem destacado seu trabalho como ministro durante o governo Bolsonaro, quando assumiu a Saúde no auge da crise sanitária causada pela Covid — em março de 2021, quando o país registrava sucessivos recordes de morte pela doença. Na época, ele foi apresentado como um quadro técnico, após outros três ministros serem demitidos em meio a declarações negacionistas do então presidente em relação à pandemia. Sua atuação na pasta foi envolta em polêmicas, como ao postergar a vacinação de crianças e ao não se posicionar de forma clara sobre o uso de medicamentos sem eficácia comprovada contra o vírus.
As pesquisas locais indicam favoritismo de Lucena para se reeleger, mas num cenário em que haverá segundo turno. Os mais cotados hoje para a segunda vaga são o deputado federal Ruy Carneiro (Podemos), que possui o apoio do União Brasil e do MDB, e Luciano Cartaxo (PT), que já comandou a cidade de 2013 a 2021. O PT, contudo, ainda não bateu o martelo sobre a candidatura e chegou a avaliar integrar a chapa do atual prefeito.
Ainda que a candidatura de Queiroga não tenha engrenado, mesmo adversários do ex-ministro admitem que ele tem espaço para crescer quando a campanha começar oficialmente. Veneziano Vital do Rego (MDB), que é vice-presidente do Senado, avalia que na medida que o eleitor vinculá-lo como candidato de Bolsonaro isso pode ajudá-lo.
— Entre os quatro, a princípio, ele (Queiroga) é o que tem menores chances atualmente de ir para o segundo turno, mas não desconsideremos que João Pessoa acabou dando voto a Bolsonaro. Apesar de a gente (Lula) ter vencido aqui, a gente só venceu por 900 votos em João Pessoa — disse Veneziano, que é aliado de Lula no Congresso, mas apoiará Ruy Carneiro, adversário do PT, na disputa municipal.
Rejeição alta
O pré-candidato do Podemos, por sua vez, afirma que o apoio de Bolsonaro ou de Lula até poderia ajudar algum dos candidatos na disputa no primeiro turno. Mas, de acordo com sua avaliação, num eventual segundo turno esse apoio poderia representar uma influência negativa, uma vez que carregaria a rejeição dos dois políticos que polarizam o cenário nacional. Para ele, contudo, o cenário está completamente aberto na cidade.
— Eu acredito que estarei no segundo turno, mas acredito que pode ter qualquer cenário. Os quatro têm condições de ir — afirmou Carneiro.
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