Alagoas

Em ofício, Defesa Civil determina que a Braskem crie plano emergencial para monitorar três minas no Mutange

Cinara Corrêa com agencias 06/01/2024
Em ofício, Defesa Civil determina que a Braskem crie plano emergencial para monitorar três minas no Mutange
Maceió - Foto: Foto: Arquivo

Em ofício datado de 30 de dezembro de 2023 e encaminhado ao Ministério Público Federal de Alagoas (MPF -AL) e à Braskem, a Defesa Civil de Maceió recomendou que a petroquímica crie um plano emergencial de monitoramento de três minas existentes no bairro do Mutange. Elas estão próximas à mina 18, que colapsou no dia 10 de dezembro de 2023.

De acordo com a Defesa Civil de Maceió, o colapso da cavidade 18 permitiu que o órgão tivesse "melhor dimensionamento do problema". Assim, segundo o ofício, ficou constatado que essa cavidade possui 7 metros de profundidade, 78 metros de cumprimento e 46 metros de largura, o que gera um número aproximado de 25 mil metros cúbicos de volume. Essa é uma dimensão equivalente a um volume de água em 11 piscinas olímpicas.

A Defesa Civil elaborou um plano de ações recomendadas para a região. Em uma delas, o órgão sugere que a Braskem crie e execute um plano de monitoramento emergencial para as cavidades M#20D, M#21D e M#29D.

"Essas cavidades, além de estarem próximas a mina colapsada, M#18D, encontram-se parcialmente fora da camada de sal. Por estarem localizadas na lagoa Mundaú, torna-se inviável o acompanhamento por DGNSS, sendo assim, necessária a avaliação de tais cavidades após a ruptura e colapso da Mina 18", recomendou.
A Defesa Civil encaminhou mais cinco recomendações à Braskem:

- Com base na recomendação de monitoramento emergencial de mais três minas, verificar a possibilidade do preenchimento das cavidades próximas a M#18D com material sólido (backfilling)

- Recomendar a Braskem S.A. a ampliação da malha de cones de reflexão (cone reflector) para aquisição de dados interferométricos próximo às margens da lagoa. Dessa forma, haverá uma melhor visualização dos dados de deslocamento por interferometria, nas áreas de maior proximidade das minas e da laguna Mundaú

- Estabelecer reuniões quinzenais com a Comissão Técnica do Case Maceió, onde órgãos estaduais e federais devem participar. E haver a integração para compartilhamento de informações e atualizações de monitoramento aos demais órgãos

- Recomendar, junto ao Comitê de Acompanhamento Técnico, a atualização dos protocolos de sinkhole (crateras) e sismo único baseado nos acontecimentos e dados locais, considerando que os protocolos foram criados com base em casos de outras localidades no mundo

- Solicitar, junto ao Comitê, a retomada emergencial das discussões para criação do Protocolo por DGNSS, considerando que foi verificado no evento da Cavidade M#18 que o monitoramento desde o início da crise sísmica até a ruptura e colapso se deu através dos dados da rede DGNSS.