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Venezuela: como o sistema do Google alertou milhões antes dos terremotos

Tecnologia usa sensores de celulares Android para detectar atividade sísmica em tempo real e pode emitir notificações segundos antes da chegada das ondas de um terremoto

Agência O Globo - 30/06/2026
Venezuela: como o sistema do Google alertou milhões antes dos terremotos
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Milhões de pessoas na Venezuela receberam alertas em seus celulares segundos antes dos dois terremotos que atingiram o país na última quarta-feira. A notificação foi enviada pelo Sistema de Alertas de Terremotos do Google , tecnologia lançada em 2020 que utiliza smartphones com Android para detectar tremores em tempo real e avisar os usuários antes da chegada das ondas sísmicas.

Antes dos abalos, os usuários receberam a seguinte mensagem nos aparelhos: "É possível que você sinta tremores. Magnitude inicial estimada de 6,2 a aproximadamente 221,8 milhas de distância".

Após os terremotos, o funcionamento da ferramenta ganhou repercussão nas redes sociais. Moradores informando ter recebido o segundo aviso antes de sentir o chão tremer.

Como funciona o sistema

Segundo o Google, a tecnologia transforma celulares Android em pequenos sismógrafos. Os aparelhos utilizam sensores já presentes na maioria dos smartphones modernos, como os acelerômetros, capazes de detectar movimentos do dispositivo.

Quando um celular identifica uma vibração compatível com um terremoto enquanto está parado sobre uma superfície estável, ele envia aos servidores do Google um registro de movimento, acompanhado dos dados de localização.

Se diversos aparelhos de uma mesma região detectaram o mesmo padrão de vibração simultânea, o sistema cruzou as informações para confirmar a possível ocorrência de um terremoto.

Como esses dados são enviados pela internet em velocidade próxima à luz, eles chegam aos servidores antes que as ondas sísmicas alcancem áreas mais distantes do epicentro. Isso permite que o alerta seja emitido com alguns segundos de antecedência — tempo que pode ser decisivo para que parte da população busque proteção.

Dois tipos de alerta

O sistema envia notificações diferentes conforme a intensidade estimada do terremoto.

Para tremores entre magnitudes 3 e 4, os usuários recebem uma notificação comum. Já em casos de terremotos com magnitude superior a 5, o celular emite um alerta sonoro de emergência e exibe uma mensagem em tela cheia com orientações de segurança sobre como agir durante o tremor.

Usuários avisando antes dos abalos

Nas redes sociais, moradores da Venezuela afirmaram que receberam o alerta antes de perceberem os terremotos.

“O Google enviou a notificação e, cinco segundos depois, o tremor foi sentido com força em Barquisimeto”, escreveu um usuário no X.

Outra surpresa relatada com o funcionamento da ferramenta: "Algo que merece destaque no sistema de alertas do Android: ele me avisou no celular antes de eu sentir o tremor. Eu descobri que isso nunca funcionava na Venezuela".

Terremotos deixou cenário de devastação

Os terremotos tiveram magnitudes de 7,2 e 7,5 e destruíram itens de edifícios, deixaram cidades sem energia elétrica e provocaram um cenário de devastação.

Segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), o primeiro tremor ocorreu às 18h04, no horário local, com epicentro a 21 quilômetros a oeste de Morón, no norte da Venezuela. Menos de um minuto depois, um segundo terremoto atingiu uma área próxima. De acordo com o órgão, foi o abalo sísmico mais intenso registrado no país desde 1900.

Uma equipe da AFP encontrou achados de edifícios abandonados ou gravemente danificados, moradores à procura de familiares entre os escombros e centenas de pessoas passando a noite ao redor de prédios evacuados.

Menos de 24 horas após a tragédia, Delcy Rodríguez informou que o número de mortos chegou a 589 e que mais de 2.980 pessoas morreram feridas. Em balanços posteriores, o total de vítimas fatais aumenta continuamente.

"Foi terrível, foi terrível. Tudo, tudo desabou, tudo, tudo", relatou Yilsmaris Blanco, moradora de La Guaira.