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Inteligência artificial: qual plataforma é mais indicada para estudantes, profissionais e empreendedores
Especialista aponta qual ferramenta combina com a sua rotina e o que fazer quando o plano pago não cabe no orçamento
A inteligência artificial que ajuda um estudante a estudar para prova pode não ser a mesma que organiza a agenda de um executivo. Já a que fecha o briefing de um designer freelancer tem a possibilidade de ser diferente da que automatiza o WhatsApp de um pequeno comerciante. A escolha da ferramenta depende do problema que o consumidor precisa resolver.
Para mapear o que faz sentido para cada perfil, o EXTRA traz a aplicação das principais IAs do mercado em quatro categorias de uso: estudante, trabalhador CLT, freelancer e pequeno empreendedor.
O levantamento, feito por Paulo Foster, coordenador-geral da Escola Brasileira de Arte e Tecnologia (EBAT), partiu das homepages oficiais das plataformas e cruzou os dados com a experiência da escola no uso das ferramentas. O resultado considerou, para cada perfil, o que muda na versão paga, em que momento a assinatura se paga e quais armadilhas evitar.
— Para um estudante ou alguém que está começando agora, eu indicaria o ChatGPT Plus. É generalista, atende várias demandas com a mesma ferramenta e a linguagem é mais didática para quem ainda está se familiarizando — diz Foster.
Para usos mais avançados, como programação ou análise crítica de grandes volumes de texto, ele recomenda o Claude:
— Ele tem uma criticidade. Sinto que estou conversando com um ser humano que questiona, que não aceita a resposta na primeira tentativa.
A recomendação do especialista para estudantes vai de encontro à realidade de Talita Ribeiro, de 19 anos, moradora da Maré. Aluna da EBAT, ela usa IAs todos os dias para estudar e programar. Como prêmio em uma competição de programação, ganhou acesso a uma versão profissional do ChatGPT por cerca de um ano.
— Quando eu tive acesso ao ChatGPT Pro, foi como se fosse um novo mundo — conta.
Hoje, de volta às versões gratuitas, ela sente a diferença.
— Sou estudante. Por enquanto, meu teto é menor.
IA na gestão das empresas
Entre os quatro perfis mapeados pela EBAT, o do pequeno empreendedor é o que mais tem visto novas aplicações chegarem ao mercado nos últimos meses. Plataformas inteiras estão sendo construídas em torno da capacidade da IA de automatizar tarefas repetitivas de gestão.
Um exemplo vem da Sisqual WFM, empresa de gestão de força de trabalho. A plataforma usa modelos de IA, incluindo o GPT-4o mini, da OpenAI, para automatizar planejamento de escala, controle de jornadas e distribuição de turnos.
A solução ganhou relevância no debate sobre o fim da escala 6x1: ao automatizar a montagem de escalas, ferramentas como essa permitem que empresas e gestores testem novos modelos de jornada com mais flexibilidade.
— O objetivo não é substituir o gestor, mas liberar tempo para decisões de maior valor — afirma José Epifânio, diretor de inovação da Sisqual WFM.
Para Paulo Foster, esse é justamente o ponto em que a assinatura de uma ferramenta passa a fazer sentido para um empreendedor:
— Quando a IA padroniza o repetitivo, como resposta de cliente, descrição de produto, controle simples de caixa, ela tira peso do que consome o dia e devolve tempo para o que só o dono do negócio pode fazer.
A IA no expediente: CLTs e autônomos
Se entre empreendedores o uso da IA aparece na operação do negócio, entre CLTs e autônomos ele entra de outra forma: como apoio às tarefas repetitivas do dia a dia profissional.
Para o CLT, o uso mais comum é de produtividade: revisar e-mails delicados antes de enviar, preparar apresentações, transformar a transcrição de uma reunião em lista de tarefas com responsáveis e prazos.
Quem vive no Word, Excel e PowerPoint tende a aproveitar melhor o Microsoft Copilot, que integra IA diretamente a esses aplicativos. Quem usa o ecossistema Google encontra função semelhante no Gemini, integrado ao Gmail, ao Drive e ao Google Meet.
— Para o CLT, a IA vira útil quando passa a economizar tempo nas tarefas que se repetem todo dia. Não é a ferramenta da decisão estratégica, mas da execução — diz Foster.
Para o freelancer, o uso é mais variado, porque a rotina é menos padronizada. Profissionais liberais — advogados, designers, consultores, contadores — costumam usar a IA para transformar conversas com clientes em propostas e cronogramas, redigir contratos a partir de modelos, padronizar follow-up. Aqui, o ganho é de organização: a IA funciona como um sócio invisível que ajuda a manter o processo rodando enquanto a pessoa atende.
— O freelancer precisa de uma IA que organize a sequência inteira do trabalho, do primeiro contato com o cliente à entrega final — afirma Foster.
Quando vale a pena assinar para cada perfil
Pela análise feita por Foster, a indicação da ferramenta é só metade da resposta. A outra parte é o momento de assinar um plano, que também muda conforme a rotina de cada perfil. Veja abaixo as recomendações do especialista:
Estudante
A versão gratuita resolve para uso esporádico;
O plano pago começa a se justificar quando o volume de PDFs, apostilas e trabalhos é grande e frequente;
A IA precisa estar ajudando a organizar o estudo, não substituindo a leitura;
Trabalhador CLT
O gatilho é o ambiente de trabalho: se a IA passou a ser parte fixa do expediente, a assinatura se paga rápido;
Tarefas como revisar e-mails delicados, preparar reuniões e transformar uma conversa em lista de tarefas justificam o pagamento;
Quem usa só esporadicamente para uma ou outra pergunta segue bem no gratuito.
Freelancer
Vale a mesma lógica do autônomo, com uma camada extra;
Quem trabalha com texto longo ou análise crítica — redatores, roteiristas, consultores — encontra na assinatura paga um ganho de qualidade, não só de tempo;
O risco é assinar várias ferramentas antes de ter um processo de trabalho mínimo organizado.
Pequeno empreendedor
A assinatura faz sentido quando a ferramenta resolve um problema real e recorrente;
Respostas-padrão de WhatsApp, descrição de produto e pós-venda são bons pontos de partida;
A IA precisa estar ampliando processos que já existem, não substituindo a falta deles.
— Só vale pagar quando a ferramenta ajuda a tirar peso do repetitivo e melhora o uso do tempo humano — resume Foster.
Desigualdade de acesso digital
A escolha entre pagar ou não, porém, nem sempre é possível, pois o perfil de quem está do outro lado da tela ajuda a entender o porquê. Os dados de matrícula do polo do Rio da EBAT mostram quem chega à escola em busca de formação em IA: 72,1% vêm de famílias com renda de até três salários mínimos, e quase metade se declara preta ou parda. Mais de 30% já declaram uso de IA generativa: o que indica interesse, mas não acesso pleno.
Paulo vê essa divisão se formar entre os alunos: uma parcela menor, com condição financeira mais folgada, opera nos planos pagos. A maioria, no entanto, permanece nas versões gratuitas e sente o limite.
— Quando a pessoa vai fazer o plano pago, está em dólar. Você não quebra as barreiras de acesso — diz.
Para Samuel Barros, reitor do Ibmec Rio, o problema é estrutural:
— Num país com as características brasileiras, trabalhar com uma moeda estrangeira acaba gerando um aumento da distância social entre as pessoas. No caso da tecnologia, essa distância só se aprofunda. Existe um analfabetismo digital no Brasil que precisa ser combatido.
A EBAT, que tem apoio da Petrobras via Lei Rouanet, oferece formação em arte e tecnologia para estudantes que buscam encurtar a distância.
— O foco é transformar acesso em oportunidade concreta, conectando arte, tecnologia e inteligência artificial a uma formação prática, gratuita e alinhada às profissões que estão emergindo no Brasil e no mundo — afirma Byron Mendes, diretor-geral da escola.
O gratuito que pouca gente usa
Para quem não pode ou não quer pagar, o gratuito resolve mais do que a maioria imagina. Foster destaca, em primeiro lugar, o NotebookLM como uma das ferramentas mais indicadas para estudantes e pesquisadores.
— Para quem trabalha com pesquisa, pauta, roteiro ou organização de conteúdo, o NotebookLM pode ser uma boa ferramenta gratuita de apoio. Ele permite reunir PDFs, links, documentos, vídeos do YouTube, áudios e anotações em um mesmo caderno e depois fazer perguntas sobre esse material. Na prática, ajuda a encontrar informações, resumir fontes e organizar ideias antes de escrever uma matéria, preparar uma entrevista, montar uma apresentação ou estruturar um relatório.
O NotebookLM não é comercializado como assinatura própria — vem incluído nos planos do Google, do gratuito ao pago. Na versão gratuita, há limites: até 100 cadernos, 50 fontes por caderno, fontes de até 500 mil palavras, 50 perguntas por dia no chat e três gerações de áudio. Quem tem o plano pago do Google (AI Plus, AI Pro ou AI Ultra) ganha cotas maiores em todos esses itens.
O especialista cita também a Zapia, IA brasileira que funciona como assistente pessoal via WhatsApp ou aplicativo próprio:
— A Zapia ajuda a transcrever áudios, organizar agenda, criar lembretes, comparar preços, resumir mensagens e executar tarefas pelo WhatsApp ou pelo app. É útil para o público em geral, profissionais autônomos, criadores, jornalistas e pessoas que usam muito WhatsApp, agenda e áudios. A ressalva é não tratá-la como ferramenta de pesquisa acadêmica nem de produção visual. Também exige cuidado com privacidade, já que pode lidar com mensagens, agenda e informações pessoais.
Outra opção gratuita é o Read.ai, voltado para reuniões.
— O Read.ai transcreve reuniões, gera resumos, permite busca e ajuda a organizar decisões, encaminhamentos e pontos de atenção. Quem faz muitas reuniões bate o limite rápido e precisa migrar para plano pago ou escolher quais reuniões registrar — afirma Foster.
No plano gratuito, o Read.ai oferece até cinco transcrições de reuniões por mês, com resumos, busca, integrações básicas, coach de reuniões e suporte a mais de 20 idiomas.
O que cada perfil pode fazer sem pagar
A partir do levantamento feito por Paulo Foster, da EBAT, o EXTRA organizou as principais recomendações por perfil para quem quer aproveitar o que as versões gratuitas oferecem:
Estudante
Use o NotebookLM para reunir apostilas, PDFs e artigos e fazer perguntas sobre o material;
O ChatGPT e o Gemini gratuitos resolvem perguntas simples, resumos curtos e revisão de texto;
Guarde o plano pago para quando o volume de material for grande e frequente.
Trabalhador CLT
O Copilot gratuito já funciona para testes; o Microsoft 365 pessoal inclui IA integrada ao Word e Excel;
Para e-mails e reuniões, o Gemini gratuito integrado ao Gmail e ao Google Meet já ajuda;
Pague só quando a IA virar parte fixa da sua rotina de trabalho.
Freelancer
Use o gratuito para testar se a IA de fato melhora suas entregas antes de assinar qualquer coisa;
O Perplexity gratuito é útil para pesquisas rápidas com fontes citadas;
A assinatura se justifica quando a IA está gerando mais propostas fechadas ou entregas mais rápidas.
Pequeno empreendedor
Comece pelo gratuito para mapear quais tarefas a IA resolve de verdade no seu negócio;
Respostas de WhatsApp, descrição de produto e resumo de reunião são bons testes iniciais;
A IA amplia processos que existem — não organiza o que está bagunçado.
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