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Vale a pena pagar por inteligência artificial? Veja tabelas interativas com preços e o que cada plano entrega

O EXTRA traz um painel comparativo de IAs com o que muda na versão paga, limites de uso em diferentes níveis das plataformas e quanto a assinatura pesa no bolso depois de impostos e câmbio

Agência O Globo - 28/06/2026
Vale a pena pagar por inteligência artificial? Veja tabelas interativas com preços e o que cada plano entrega
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Resumir um PDF de cem páginas em pouco tempo, montar a planilha de fluxo de caixa ou criar a imagem de um post para o Instagram. O que era novidade tecnológica distante virou ferramenta de trabalho, estudo e organização da rotina. Junto com a popularização da inteligência artificial, porém, veio uma nova dúvida para o bolso: vale pagar por um plano de IA ou a versão gratuita já resolve?

Para ajudar nessa escolha, o EXTRA preparou um painel interativo com planos pagos de assistentes de texto, como Chat GPT, Gemini e Claude; e ferramentas de imagem e vídeo, como Canva com IA e Adobe Firefly.

A comparação feita por Paulo Foster, coordenadorgeral da Escola Brasileira de Arte e Tecnologia (EBAT), mostra preço, o que muda quando você paga ao que dá para fazer de graça, quais limites continuam existindo mesmo depois do pagamento e o detalhe que poucos percebem: quanto a assinatura custa, de fato, depois de impostos e câmbio.

As principais plataformas de inteligência artificial entregam uma versão gratuita que resolve o básico e reservam os recursos mais potentes para quem assina. Os planos custam de cerca de R$ 35 a mais de R$ 700 por mês. Parte dos pacotes é cobrado em dólar, fazendo com que a conta final pese mais do que o preço exibido na tela.

O que muda quando você paga

A primeira coisa a entender é o que a versão paga entrega. Em geral, os planos liberam mais uso, com modelos com maior potência, envio de arquivos, profundidade de pesquisas, geração de imagem e voz, memória das conversas e integração com aplicativos de trabalho e estudo.

Mas pagar não é obrigatório e nem sempre necessário. Para Paulo Foster, coordenador-geral da Escola Brasileira de Arte e Tecnologia (EBAT), no Rio, a melhor forma de decidir não é caçar a ferramenta mais famosa, mas olhar para a própria rotina:

— A IA não entra na vida real como uma ideia abstrata. Ela entra no e-mail que demora para ser respondido, no PDF que o estudante não consegue organizar, na planilha que o empreendedor evita abrir, na proposta que o freelancer reescreve toda semana — diz Foster. — Só vale pagar quando a ferramenta ajuda a tirar peso do repetitivo e melhora o uso do tempo humano.

Para ele, não faz sentido transformar a escolha num ranking:

— A melhor IA não é necessariamente a mais conhecida. É a que entra melhor na rotina real do usuário.

A regra prática é direta: a versão gratuita já dá conta do básico para muita gente. A assinatura começa a valer quando há uso frequente e um ganho real de tempo, processo ou qualidade de entrega.

As versões premium das plataformas, porém, nunca eliminam a necessidade de revisar o resultado obtido. Ben-Hur Correia, jornalista e pesquisador de IA da Globo, reforça que a assinatura amplia a capacidade de uso, mas não substitui a checagem humana:

— A checagem humana é necessária sempre. O humano nunca vai sair do circuito de ação junto com a inteligência artificial — afirma.

Limites das plataformas

Mesmo em planos pagos, o uso da IA não é infinito. A explicação está nos tokens, medida do esforço da plataforma para gerar uma resposta.

Ben-Hur compara um token a uma sílaba de uma palavra. Funciona assim: cada trecho de texto que você digita e cada resposta que a ferramenta gera são quebrados em milhões desses microconteúdos, que o sistema processa um a um. Quanto mais longa e complexa a tarefa, mais tokens são consumidos.

— É o quanto de processamento ele está usando. É o esforço que você coloca numa máquina para gerar aquela resposta — explica Ben-Hur.

Para ter uma ideia da escala: a conversão mais usada é de cerca de 0,75 palavra por token em inglês. Em português, a relação é um pouco menos favorável: entre 0,65 e 0,70 palavra por token, porque o tokenizador foi otimizado para o inglês. Isso significa que 1 milhão de tokens equivale a algo entre 650 mil e 750 mil palavras em português.

Segundo ele, tarefas mais complexas, como desenvolver código e analisar muitos documentos, exigem mais da ferramenta e gastam o limite mais rápido. Textos em formatos editáveis, como Word, tendem a exigir menos processamento do que PDFs. Ainda assim, Ben-Hur explica que essa diferença é pequena:

— Hoje não é tão abissal se comparada com outros usos de IAs.

Para Paulo Foster, da EBAT, a limitação tem uma razão física:

— Quanto mais avançado o modelo, mais tokens gasta, porque mais processamento, mais energia que a empresa tem que gastar.

É uma equação de processamento, energia e infraestrutura que explica por que os limites existem mesmo nos planos mais caros. Mas saber que o limite existe não evita o desperdício de tokens. O erro mais comum, segundo Ben-Hur, é deixar ativado um modo de raciocínio mais complexo para tarefas simples.

— Às vezes você deixou aquele modo de raciocínio mais complexo ativado para uma tarefa muito simples — alerta.

Em plataformas como ChatGPT, Claude e Gemini, o usuário consegue selecionar, dentro da própria conversa, entre modos mais rápidos e econômicos e outros voltados a tarefas mais pesadas — chamados em alguns serviços de "thinking", "raciocínio" ou "pesquisa profunda".

— O que eu mais vejo as pessoas gastando de forma inadvertida é isso: elas não percebem o modelo que está acionado.

O modo de raciocínio não é um plano diferente, mas é uma opção disponível dentro das versões gratuitas e pagase. Para perguntas simples e respostas curtas, o modo básico costuma dar conta e poupa o saldo para quando a tarefa realmente exigir mais.

Outro fator que pesa é o tamanho das conversas. Aquelas que são muito longas consomem mais tokens porque o sistema precisa processar todo o histórico a cada nova resposta.

— É muito melhor você fracionar a sua conversa, iniciar conversas novas a cada período — recomenda Ben-Hur.

O que pesa no bolso

Há planos cobrados em reais e outros em dólares, o que faz a conta variar conforme o câmbio, os impostos e as tarifas do cartão. Nas assinaturas internacionais, o valor pode incluir o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), o spread cambial — taxa adicional cobrada pelo banco — e a cotação do dólar no dia da cobrança.

— Se estiver em dólar, a conta vai variar conforme a cotação daquele dia e do spread que o banco cobra — explica Ricardo Teixeira, coordenador do MBA de Gestão Financeira da Fundação Getulio Vargas (FGV).

Para Samuel Barros, reitor do Ibmec Rio, plataformas que cobram em reais tornam o gasto mais previsível, porque eliminam parte da incerteza da compra internacional. Já os planos anuais podem proteger o consumidor da variação cambial, mas exigem cautela:

— Em termos de tecnologia, pode não ser a melhor estratégia, porque a inteligência artificial pode ficar obsoleta em menos de um ano.

Barros lembra que, nas assinaturas mensais, o usuário também deve observar a data da recorrência da cobrança.

— Pela legislação brasileira, o que influencia é a data da compra do plano. O dólar do dia da cobrança é o que vai ser aplicado naquela compra internacional — afirma.