Mundo Científico
Primeiro surto de peste ocorreu há 5.500 anos, na Sibéria
Estudo publicado na revista Nature revela novas evidências sobre a bactéria causadora da doença
O primeiro surto de peste registrado ocorreu há cerca de 5.500 anos, na região do Lago Baikal, na Sibéria, entre uma comunidade de nômades caçadores-coletores. A descoberta foi apresentada em estudo publicado nesta quarta-feira (17) na revista científica Nature.
O achado desafia a ideia de que os surtos provocados pela bactéria Yersinia pestis estariam associados apenas a cidades medievais populosas, como ocorreu séculos depois durante grandes epidemias na Europa.
“Esta descoberta altera nossa compreensão dos primeiros surtos de peste: mesmo antes de a bactéria desenvolver uma transmissão eficiente por pulgas, essas cepas antigas parecem ter carregado uma potente combinação de fatores de virulência que poderiam tornar a infecção altamente letal”, afirmou o autor sênior do estudo, Martin Sikora, professor associado da Universidade de Copenhague.
A equipe de pesquisa analisou o DNA de 46 humanos enterrados em cemitérios atribuídos a grupos de caçadores-coletores. Pelo menos 18 deles apresentaram sinais da doença, o equivalente a cerca de 40% dos indivíduos analisados — uma taxa superior à encontrada em algumas valas comuns da Idade Média.
Os pesquisadores também identificaram que crianças e adolescentes foram os mais afetados. Dados de datação por radiocarbono, técnica usada para estimar o tempo decorrido desde a morte, indicam que muitos sepultamentos ocorreram em um curto intervalo de tempo.
“O fato de as primeiras formas de peste serem leves ou virulentas tem sido motivo de debate, mas nossas descobertas demonstram que essas cepas antigas já eram altamente letais”, disse o professor Eske Willerslev, do Departamento de Genética da Universidade de Cambridge e da Universidade de Copenhague, que liderou a pesquisa.
Segundo os cientistas, a Yersinia pestis surgiu há aproximadamente 5.700 anos, após se separar de sua bactéria ancestral, a Yersinia pseudotuberculosis.
As cepas antigas descritas no trabalho apresentavam um superantígeno especial capaz de provocar respostas imunológicas graves no organismo humano, o que poderia agravar ainda mais o quadro das pessoas infectadas.
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