Mundo Científico
Picadas de escorpião crescem 350% no Brasil e chegam a 1,7 milhão em 12 anos
Pesquisa do Instituto Butantan aponta Bahia, Minas Gerais e São Paulo entre os estados com áreas de maior risco; foram registradas 1.230 mortes entre 2012 e 2024
Um estudo divulgado no fim de maio por pesquisadores do Instituto Butantan, da Universidade de São Paulo (USP), do Ministério da Saúde e da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo acendeu um alerta para o avanço dos acidentes com escorpiões no Brasil. Publicada em outubro de 2025 na revista científica PLOS Neglected Tropical Diseases , uma pesquisa acordada que o sul da Bahia, o norte de Minas Gerais e o noroeste do estado de São Paulo estão entre as regiões de maior risco para picadas de escorpião no país.
A análise reuniu dados de 5.570 municípios brasileiros entre 2012 e 2024 e registrou mais de 1,7 milhão de acidentes e 1.230 mortes no período. Segundo os pesquisadores, a taxa nacional de incidência saltou de 31 para 142 casos por 100 mil habitantes em 12 anos, um aumento de 349%.
A principal hipótese é que fatores climáticos, ambientais, urbanos e sociais favorecem a atenção dos animais, especialmente em áreas urbanizadas.
Bahia, Minas e São Paulo concentram áreas críticas
De acordo com o levantamento, as regiões Nordeste e Sudeste respondem por 87% dos casos registrados no país. Os maiores aglomerados de risco estão localizados nos municípios da Bahia, de Minas Gerais e de São Paulo.
No território paulista, o noroeste do estado aparece como uma área mais crítica, favorecida por altas temperaturas e pela urbanização intensa. Essas condições facilitam a expansão do Tityus serrulatus , conhecido como escorpião-amarelo, principal responsável pelos acidentes no Brasil.
Minas Gerais se destaca não apenas pelo elevado número de ocorrências, mas também pelos óbitos, especialmente na região norte do estado. O estudo ressalta que a maior parte das mortes por envenenamento escorpiônico no país ocorre entre crianças de até 9 anos.
Na Bahia, os pesquisadores observaram um crescimento expressivo dos casos tanto na região sul quanto nos municípios do norte do estado entre 2018 e 2024. No restante do Nordeste, estados como Pernambuco, Alagoas e Rio Grande do Norte também estão preocupados devido ao avanço dos acidentes em áreas urbanas. Em Alagoas, por exemplo, a incidência superou 270 casos por 100 mil habitantes.
Escorpiões adaptados às cidades
O estudo aponta que as áreas de maior risco costumam apresentar temperaturas mais elevadas, menor volume de chuvas, menor cobertura vegetal e indicadores sociais mais vulneráveis. Os investigadores destacam ainda a grande capacidade de adaptação dos escorpiões ao ambiente urbano, especialmente de espécies como o Tityus serrulatus e o Tityus stigmurus .
Essas espécies têm fêmeas capazes de se reproduzir sem acasalamento, característica que acelera a colonização de novos ambientes e amplia o risco de acidentes.
Os acidentes também apresentam comportamento sazonal, com maior incidência entre setembro e dezembro, especialmente durante a primavera.
Diante desse cenário, os especialistas recomendam evitar o acúmulo de lixo, entulho, folhas secas e materiais de construção. Também é importante manter atenção às roupas, calçados e objetos deixados no chão, que podem servir de abrigo para os animais.
Em caso de picada, a orientação é lavar o local com água e sabão, aplicar compressa morna e procurar atendimento médico imediatamente, principalmente quando a vítima for uma criança. Nos túmulos, o tratamento pode exigir a aplicação de soro antiescorpiônico, produzido pelo Instituto Butantan.
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