Mundo Científico
Múmia boliviana de 700 anos revela bactéria ligada à escarlatina antes da chegada dos europeus às Américas
Estudo publicado na revista Nature identifica genoma antigo de Streptococcus pyogenes em restos humanos pré-colombianos e reabre debate sobre origem e circulação histórica do patógeno
Pesquisadores identificaram, em uma múmia pré-colombiana da Bolívia, o registro mais antigo já confirmado nas Américas da bactéria Streptococcus pyogenes, responsável por doenças como faringite estreptocócica, escarlatina e infecções invasivas graves. A descoberta, divulgada na revista científica Nature nesta segunda-feira (13), indica que o microrganismo já circulava entre populações indígenas séculos antes da chegada dos europeus ao continente.
O material genético foi extraído de um dente pertencente a um jovem naturalmente mumificado, datado entre 1283 e 1383. Os restos mortais estão preservados no Museu Nacional de Arqueologia, em La Paz, capital da Bolívia. A análise do DNA mitocondrial confirmou a ancestralidade nativa americana do indivíduo.
Utilizando técnicas avançadas de sequenciamento genético, os cientistas conseguiram reconstruir quase todo o genoma da bactéria antiga. O microrganismo mostrou grande semelhança com cepas modernas associadas a infecções de garganta, como amigdalite e faringite.
Apesar da descoberta, ainda não está claro quais doenças provocadas pelo estreptococo do grupo A estavam presentes na Bolívia pré-hispânica. Os autores do estudo destacam que o achado antecipa em vários séculos a presença comprovada do patógeno no continente americano. Até então, parte da literatura científica atribuía a disseminação de doenças bacterianas ao contato colonial europeu, iniciado no final do século XV.
A análise evolutiva posicionou essa linhagem antiga na base da diversidade genética atual da espécie, sugerindo que as cepas modernas descendem de ancestrais mais antigos. Modelagens apontam que a maior parte das linhagens hoje existentes começou a se diversificar globalmente nos últimos 5.500 anos.
Embora o estudo fortaleça a hipótese de que a bactéria já estivesse estabelecida nas Américas antes da colonização, os pesquisadores ressaltam que novos genomas antigos e contemporâneos ainda são necessários para esclarecer a origem do patógeno e sua expansão mundial.
A descoberta também reforça a importância da paleogenômica — área dedicada à recuperação de DNA antigo de restos arqueológicos — na reconstituição da história de doenças infecciosas e na compreensão da relação entre humanos e microrganismos ao longo dos séculos.
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