Mundo Científico
Estudo de Harvard mostra que seleção natural reduziu genes ligados à calvície masculina
Pesquisa publicada na revista Nature analisou quase 16 mil genomas antigos e modernos e concluiu que evolução humana recente favoreceu variantes associadas a menor risco de alopecia androgenética.
Um estudo liderado por pesquisadores de Harvard e publicado nesta quarta-feira na revista Nature revelou que, ao longo dos últimos 10 mil anos, a seleção natural favoreceu variantes genéticas associadas a menor risco de calvície masculina e maior probabilidade de cabelos ruivos em populações da Eurásia Ocidental. Os resultados sugerem que a evolução humana recente foi mais intensa do que se pensava, continuando a moldar características físicas e riscos de doenças.
Os cientistas analisaram 15.836 genomas antigos e modernos de indivíduos da Eurásia Ocidental — região que abrange Europa e partes da Ásia Ocidental — e desenvolveram um método estatístico inovador para rastrear mudanças graduais na frequência de variantes genéticas ao longo do tempo. O trabalho identificou 479 variantes sob forte seleção natural direcional no período estudado.
Entre os traços favorecidos pela seleção natural, destacam-se genes ligados a menor chance de desenvolver calvície masculina, também chamada de alopecia androgenética. Embora o estudo não indique o desaparecimento da calvície, ele mostra que variantes associadas ao problema perderam frequência relativa ao longo dos milênios.
A alopecia androgenética é a forma mais comum de queda de cabelo entre homens, influenciada por múltiplos genes, hormônios e envelhecimento. Atualmente, estima-se que entre 30% e 50% dos homens apresentem algum grau da condição aos 50 anos.
Os autores não identificaram uma causa definitiva para a vantagem evolutiva dessas variantes. Uma das hipóteses é que genes relacionados à menor calvície estejam associados a outros efeitos biológicos positivos, selecionados por fatores ambientais ou reprodutivos. Em genética evolutiva, esse fenômeno é chamado de seleção indireta, quando um traço aumenta por estar ligado a outro mais vantajoso.
Além da redução de variantes ligadas à calvície masculina, o estudo observou aumento na frequência de genes associados a cabelos ruivos, pele clara, resistência à hanseníase e ao HIV, além de menor risco de artrite reumatoide.
Para os pesquisadores, os resultados desafiam a antiga ideia de que a evolução humana teria desacelerado após o surgimento da agricultura. Segundo a equipe, mudanças em dieta, clima, densidade populacional e exposição a doenças continuaram impondo pressões seletivas relevantes sobre os seres humanos até tempos recentes.
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