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Por que quase todo mundo tem olhos castanhos? Estudo explica como a genética define cores raras e comuns

Pesquisas recentes mostram como a genética e a evolução moldaram a diversidade, e a predominância, das cores dos olhos humanos

Agência O Globo - 24/03/2026
Por que quase todo mundo tem olhos castanhos? Estudo explica como a genética define cores raras e comuns
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Já reparou por que olhos claros chamam tanta atenção? Embora sejam frequentemente vistos como raros e marcantes, a ciência mostra que a maioria esmagadora da população mundial compartilha uma característica bem diferente: olhos castanhos.

Com que frequência

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Avanços recentes na genética, reunidos pelo portal HowStuffWorks e por estudos publicados na base acadêmica PubMed Central, ajudam a entender como o cor dos olhos é determinado e por que algumas manchas são muito mais comuns do que outras. Ao contrário do que se pensou no passado, essa característica não depende de um único gene, mas de uma combinação complexa de fatores hereditários.

A tonalidade da íris é resultado da quantidade e da distribuição da melanina, o pigmento responsável pela coloração. Quanto maior a concentração, mais escuro tende a ser o olho. Já níveis mais baixos permitem efeitos ópticos, como a dispersão da luz, que dão origem a núcleos claros.

A cor dos olhos ao redor do mundo

Olhos castanhos (70% a 80%)

Predominam globalmente e são mais frequentes em regiões como Ásia, África e Oriente Médio. A alta concentração de melanina não apenas protege a íris, como também oferece maior proteção contra a radiação ultravioleta.

Olhos azuis (cerca de 8%)

Mais comum no norte e leste da Europa, surgiu a partir de uma mutação ancestral no gene HERC2, que influencia outro gene, o OCA2. A baixa presença de melanina faz com que a luz se disperse, criando o tom azulado.

Olhos verdes (1% a 2%)

Raros, aparecem principalmente no norte e centro da Europa. Resultam de uma combinação específica de melanina moderada e pigmentos amarelos, além da ação de múltiplos genes.

Olhos granulosos (menos de 1%)

Ainda mais peculiar, apresenta uma tonalidade uniforme e diluída. A cor está ligada a níveis muito baixos de melanina e às características estruturais da íris.

Olhos âmbar (menos de 1%)

Com tons dourados ou acobreados, são explicados pela presença de lipocromo, um pigmento amarelado. Podem ser encontrados em leis da Ásia, América do Sul e partes da Europa.

Olhos violeta ou avermelhados (extremamente raros)

Geralmente associada ao albinismo, condição em que há ausência quase total de melanina, permitindo que os vasos sanguíneos da íris fiquem visíveis.

A genética por trás das cores

Durante décadas, acreditei que o cor dos olhos seguia um padrão simples de herança, com tons escuros dominando os claros. No entanto, estudos recentes indicam que o processo é poligênico, envolvendo mais de uma dúzia de genes.

Entre os principais estão o OCA2 e o HERC2, mas outros, como SLC24A4 e TYR, também desempenham papéis importantes. Essa complexidade é explicada por que os filhos podem ter cores de olhos diferentes dos pais e por que existem interações interpessoais, como o avelã.

Hoje, a ciência entende que a diversidade de núcleos nos olhos humanos é resultado de milhares de anos de evolução, migrações e adaptações ambientais — um mosaico genético que continua a intrigar pesquisadores e a fascinar pela sua variedade.