Internacional
Agricultores italianos apoiam veto à carne do Brasil e pedem reciprocidade nos acordos
União Europeia vai proibir importação de produtos a partir desta quinta (3)
A Confederação Italiana de Agricultores (Cia-Agricoltori Italiani), uma das maiores organizações comerciais da Itália, afirmou nesta quarta-feira (2) que a decisão da União Europeia de suspender as importações de carne brasileira e de outros produtos de origem animal, representa uma possível mudança de rumo na política comercial do bloco.
A entidade italiana defende que o princípio da reciprocidade deixe de ser uma exceção e passe a orientar todos os acordos de livre comércio firmados pela União Europeia
"É uma decisão importante, que vai ao encontro do que a Cia defende há muito tempo", afirmou o presidente nacional da organização, Cristiano Fini.
Segundo ele, a Europa deve assegurar "regras e condições iguais para todos", para que os acordos comerciais funcionem como instrumentos de crescimento econômico, e não como fontes de dificuldades para as empresas europeias.
Para a Cia-Agricoltori Italiani, a reciprocidade significa exigir que produtores e operadores de países de fora da UE cumpram padrões equivalentes aos aplicados às empresas europeias em áreas como produção, segurança alimentar, proteção ambiental, direitos trabalhistas e bem-estar animal.
A entidade considera "inaceitável" que os agricultores europeus sejam submetidos a exigências cada vez mais rigorosas enquanto produtos fabricados sob regras diferentes tenham acesso ao mercado comunitário.
"O que aconteceu com o Brasil pode abrir um precedente", afirmou Fini. "Os agricultores europeus não pedem protecionismo, mas condições de concorrência equitativas." Na avaliação do executivo, a reciprocidade deve se tornar o princípio orientador dos futuros acordos comerciais da União Europeia. Dessa forma, o bloco poderia enfrentar a concorrência global sem comprometer a agricultura europeia, ao mesmo tempo em que protegeria consumidores e empresas.
A proibição das importações de carnes e outros produtos de origem animal do Brasil entrará em vigor na próxima quinta (3) e foi motivada pelo suposto descumprimento, por parte de produtores brasileiros, dos padrões sanitários exigidos pelo bloco, sobretudo em relação ao uso de antimicrobianos e antibióticos.
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