Internacional
Justiça italiana apura morte durante abordagem policial; caso gera protestos
Imagens mostram marroquino implorando para agentes concluírem imobilização
O Ministério Público de Bolonha instaurou nesta segunda-feira (20) um processo para apurar as circunstâncias e causas da morte de Abderrahim Fakir, um homem de origem marroquina de 42 anos, durante uma abordagem policial em uma rua do bairro Pilastro, no último domingo (19).
O caso está sendo investigado por homicídio culposo e marca a primeira aplicação do modelo 45 bis, mecanismo previsto no recente decreto de segurança italiano para registrar, em uma seção separada, os nomes de agentes públicos envolvidos em ações praticadas no exercício de suas funções, visando dar maior proteção aos policiais acusados de irregularidades.
A investigação, coordenada pelo procurador Paolo Guido, abrange os dois policiais da delegacia de Bolognina Pontevecchio que participaram da abordagem e quatro socorristas da Cruz Vermelha que atenderam à ocorrência.
Apesar do registro dos nomes, a Promotoria esclareceu que não há suspeitos formalmente indiciados, e que o procedimento busca garantir a realização das diligências necessárias, incluindo exames periciais, para reconstruir os fatos.
Segundo as primeiras informações obtidas pelos investigadores, os policiais acionaram o serviço de emergência 118 relatando que um homem estava em "crise psiquiátrica". A polícia havia sido chamada por moradores que denunciaram que Fakir apresentava comportamento agressivo e teria ameaçado um motorista que estacionava um veículo em uma garagem nas proximidades.
De acordo com as investigações preliminares, os agentes tentaram inicialmente acalmar Fakir, mas ele teria reagido de forma agressiva, chegando a chutar a viatura policial. Os policiais supostamente utilizaram spray de pimenta e, em seguida, imobilizaram o homem, prendendo suas mãos e tornozelos.
Um vídeo gravado por um morador e amplamente divulgado nas redes sociais mostra Fakir no chão enquanto grita por "socorro" e pede para que parem a contenção. Em seguida, ele perde os sentidos.
Conforme as informações apuradas até o momento, nem os policiais nem os paramédicos teriam percebido imediatamente que ele havia parado de respirar.
Em nota, a Procuradoria afirmou que a investigação analisará "todo o desenrolar dos acontecimentos", ressaltando que os fatos são mais complexos do que o trecho registrado no vídeo divulgado online.
Os promotores destacaram que a apuração abrangerá tanto a atuação das forças policiais quanto dos profissionais de saúde, com base em exames forenses e outras diligências.
A Polícia de Bolonha informou que as imagens registradas pelas câmeras corporais dos agentes envolvidos serão disponibilizadas aos investigadores. Paralelamente, a autoridade local de saúde abriu uma investigação interna para avaliar a atuação da equipe de emergência.
A Cruz Vermelha de Bolonha rebateu críticas direcionadas aos socorristas após a divulgação das imagens. Em comunicado enviado à ANSA, a instituição afirmou que os quatro profissionais permaneceram no local aguardando autorização para intervir, uma vez que Fakir ainda estava sob custódia policial.
Segundo a entidade, o atendimento foi iniciado assim que a situação permitiu a aproximação da equipe médica.
A advogada Barbara Spinelli, que representava Fakir no processo de renovação de sua autorização de residência, descreveu o marroquino como um homem "gentil, educado e respeitoso".
Ela explicou ainda que Fakir vivia legalmente na Itália desde a infância, era empresário e empregava diversos trabalhadores.
A advogada afirmou que seu cliente demonstrava preocupação com a entrada em vigor do novo Pacto Europeu para Migração e Asilo, temendo, sem fundamento jurídico, ser deportado, apesar de estar com sua situação documental regularizada.
A morte de Fakir provocou forte repercussão em Bolonha. O prefeito Matteo Lepore convocou uma manifestação para às 19h (horário local) desta segunda (20), na Piazza Nettuno, pedindo esclarecimentos completos sobre o caso.
Já o sindicato Si Cobas anunciou estado de mobilização na província e convocou uma greve com bloqueios no Interporto de Bolonha a partir das 22h, classificando a morte como um "assassinato de Estado".
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