Internacional

Governo Meloni sofre derrota no Parlamento, e oposição pede eleições

Premiê italiana lamentou resultado da votação na Câmara dos Deputados

Redação ANSA 14/07/2026
Governo Meloni sofre derrota no Parlamento, e oposição pede eleições
Premiê italiana lamentou resultado da votação na Câmara dos Deputados - Foto: ANSA

A coalizão da primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, sofreu nesta terça-feira (14) uma dura derrota em uma votação na Câmara dos Deputados sobre um projeto de lei para alterar o sistema eleitoral da Itália, o que motivou até pedidos de renúncia por parte da oposição.

Uma emenda ao projeto, apresentada pelo Irmãos da Itália (FdI), sigla da premiê, e apoiada pelas demais legendas de centro-direita (Força Itália e Liga), visava dar aos eleitores a opção de indicar na cédula o nome de um ou mais parlamentares, mas a proposta foi rejeitada em escrutínio secreto, com 187 votos a favor e 188 contra.

A proposta previa que, se um partido conquistasse mais de um assento em determinado colégio eleitoral, o primeiro eleito seria o nome definido pela própria legenda, enquanto os restantes respeitariam a preferência do eleitorado. A medida, porém, vinha sendo alvo de fortes críticas da oposição, cujos parlamentares entoaram gritos de "eleições" e "renúncia" após a divulgação do resultado.

Os opositores argumentaram que a emenda criava "preferências fictícias", já que o cabeça de lista teria, na prática, uma eleição praticamente garantida. Eles também afirmaram que a proposta representaria um retrocesso para a igualdade de gênero, uma vez que, em tese, todos os líderes das listas poderiam ser homens.

"Cada um deve assumir a responsabilidade pelas suas próprias decisões. Após quatro anos, o governo quer mudar as regras do jogo, com a tentativa dissimulada do FdI e de Meloni de enganar os italianos com uma emenda fraudulenta sobre o voto preferencial. Meloni lançou o desafio de assumir as decisões; vocês fizeram exatamente isso e votaram contra a confiança na sua própria premiê", afirmou o ex-primeiro-ministro e líder do Movimento 5 Estrelas (M5S), Giuseppe Conte.

Já Elly Schlein, secretaria do Partido Democrático (PD), de centro-esquerda, defendeu que Meloni "reconheça seu fracasso e vá para casa", abrindo caminho "para um governo capaz de resolver os problemas da Itália".

"Foi uma votação contra a arrogância de uma líder que estava disposta a esmagar o poder de outras mulheres para defender o seu próprio", comentou a líder da oposição italiana.

A derrota do governo ocorreu durante a discussão das emendas ao projeto de Meloni para alterar o sistema eleitoral italiano, faltando cerca de um ano para as próximas eleições legislativas.

O objetivo da premiê é substituir o atual modelo, que mistura voto proporcional e distrital, por um sistema 100% proporcional, com prêmio de maioria para a coalizão que alcançar 42% dos votos.

Com isso, a aliança que ficar em primeiro lugar receberia 70 cadeiras extras na Câmara dos Deputados e 35 no Senado, obtendo maioria suficiente para governar, mesmo tendo conquistado menos de 50% dos votos. Para a oposição, trata-se de uma estratégia de Meloni para aumentar as chances de vitória nas próximas eleições, previstas para meados de 2027.

"O resultado mostra que a esquerda e a oposição votaram em bloco contra a medida. No entanto, também houve ausência de votos nas fileiras da maioria, e isso é algo que exige reflexão. Tentamos, mas o pântano venceu novamente. A emenda foi rejeitada por apenas um voto. Foi uma oportunidade perdida para o povo italiano, mas foi correto tentar", comentou Meloni em suas redes sociais.