Internacional
Desaparecimento de duas irmãs há 12 dias intriga cidade na Itália
Autoridades suspeitam que adolescentes tenham fugido de lar com ajuda externa
O desaparecimento de duas irmãs, de 12 e 16 anos, após uma suposta fuga de um lar de acolhimento em Civitella Alfedena, na província de L'Aquila, mobiliza as autoridades italianas há pelo menos 12 dias.
As adolescentes, identificadas como Sarah e Alisya, teriam organizado seus pertences pessoais — incluindo roupas, maquiagem e outros objetos — antes de deixarem a instituição por uma janela durante a madrugada entre os dias 6 e 7 de junho.
Informações preliminares indicam que Alisya pediu medicação à equipe do abrigo na noite anterior ao desaparecimento. Na manhã seguinte, as duas não compareceram ao café da manhã, o que levou os funcionários a perceberem a ausência.
As irmãs viviam na comunidade de acolhimento desde 2024. Filhas de pais separados, tiveram a guarda suspensa pelo Tribunal de Menores em 2023 devido a conflitos familiares. Inicialmente, foram encaminhadas para instituições diferentes na região do Lazio, mas voltaram a morar juntas em Civitella Alfedena no ano passado.
No fim de maio, o pai das adolescentes, Stefano Di Giacinto, obteve uma decisão judicial que revogava a medida anterior. A investigação, coordenada pela Procuradoria de Sulmona, resultou na abertura de um inquérito por desaparecimento de menores e possível sequestro.
Entre as linhas de investigação, ganha força a hipótese de uma fuga planejada com auxílio externo. Segundo o namorado de 18 anos de Alisya, ouvido diversas vezes pelos carabineiros, as jovens tinham receio de sair sozinhas durante a noite, especialmente devido ao isolamento da região e à ausência de transporte público.
Apesar disso, imagens de câmeras de segurança registraram as duas adolescentes por volta das 21h30 do dia 6 de junho caminhando tranquilamente por um bar ao ar livre próximo a um centro esportivo. A suspeita é que elas tenham deixado a instituição horas depois, entre 2h e 5h da manhã, por uma janela sem grades.
Outro elemento analisado pela Promotoria são bilhetes encontrados no quarto das meninas. As mensagens, descritas como possíveis pizzini — pequenos recados codificados —, estão sendo examinadas para verificar se continham comunicações com pessoas externas ao lar.
As operações de busca se concentram na região entre Civitella Alfedena, o Lago Barrea e as principais vias que levam a Castel di Sangro, Scanno e Avezzano. Equipes também realizaram inspeções em propriedades rurais, construções abandonadas e cavernas.
Nos últimos dias, diligências foram conduzidas nas residências de familiares tanto em Abruzzo quanto em Minturno, no sul do Lazio. Até o momento, porém, nenhuma informação considerada decisiva foi obtida.
Os bombeiros informaram que as buscas seguem concentradas também nas margens do Lago Barrea. "Estamos trabalhando sem parar na área do lago e em suas proximidades. Infelizmente, ainda não temos notícias das meninas", informou a corporação.
Nesta sexta-feira (19), um prendedor de cabelo vermelho com pequenas flores decorativas, que se acredita pertencer a uma das irmãs desaparecidas, foi encontrado em uma trilha próxima à instituição. A descoberta representa, até agora, a única pista concreta do caso.
Segundo a Associação Penélope, entidade que presta apoio a famílias de pessoas desaparecidas, o acessório foi localizado por um médico que possui residência na região e o encontrou durante uma caminhada.
A peça estava próxima a uma trilha situada a cerca de 400 metros, em linha reta, do lar de acolhimento — o último edifício da vila antes da área florestal do Parque Nacional de Abruzzo.
Alessia Natali, coordenadora regional da associação em Abruzzo, afirmou que o objeto pode representar o primeiro indício de que as adolescentes utilizaram aquele caminho após deixarem a instituição. Os investigadores agora trabalham para confirmar se o prendedor realmente pertence à irmã mais nova.
Após a descoberta, as buscas foram redirecionadas para a área montanhosa próxima à reserva natural de La Camosciara. Um helicóptero do Corpo de Bombeiros sobrevoa a região em baixa altitude, enquanto equipes terrestres, unidades caninas, drones e socorristas especializados seguem mobilizados.
Enquanto as investigações prosseguem, familiares continuam fazendo apelos públicos pelo retorno das adolescentes. Em um vídeo divulgado recentemente, o pai destacou que Sarah sofre de doença celíaca e pediu atenção de comerciantes e moradores para possíveis compras ou pedidos de alimentos sem glúten que possam estar relacionados à menina.
Já a mãe das adolescentes, por meio de seu advogado, afirmou estar recebendo informações principalmente pela imprensa e cobrou maior comunicação por parte das autoridades.
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