Internacional
Ataque massivo russo deixa mortos em Kiev e causa incêndio em mosteiro tombado
Catedral da Dormição é referência do cristianismo ortodoxo no mundo
Ao menos 11 pessoas morreram em uma série de ataques massivos realizados pela Rússia contra a Ucrânia na madrugada desta segunda-feira (15), que também causou um incêndio no Mosteiro das Cavernas de Kiev, complexo do cristianismo ortodoxo que é Patrimônio Mundial da Unesco.
Segundo o prefeito Vitali Klitschko, o fogo destruiu o telhado da Catedral da Dormição, um dos locais mais sagrados do mundo cristão no leste europeu.
"É crucial que o mundo não se cale diante deste último ato de barbárie russa.
Este ataque ao mosteiro é um atentado contra a comunidade cristã e o patrimônio cultural da humanidade", escreveu no X o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky. "Não há justificativa para esta ou qualquer outra ofensiva russa semelhante", acrescentou, reforçando que são necessárias "uma maior cooperação para deter a guerra da Rússia e uma proteção mais robusta para salvar vidas".
Já o chefe espiritual da Igreja Ortodoxa ucraniana, metropolita Epifânio, pediu "orações para salvar o santuário da destruição".
"Trata-se do enésimo crime russo contra a humanidade, a história e o cristianismo. O que mais o anticristo do Kremlin precisa fazer para que o mundo entenda que é necessária uma ação decisiva para acabar com o terror russo contra a Ucrânia e com os próprios princípios da paz?", questionou o líder espiritual no X.
A Unesco teme "danos significativos" à Catedral da Dormição. "Estruturas históricas adjacentes, incluindo elementos do complexo fortificado do Mosteiro das Cavernas e a Torre Ivan Kushnik, também teriam sido afetadas", informou a Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura em comunicado.
"Os danos a essas instituições privam as comunidades do acesso à cultura, à educação e a espaços compartilhados, essenciais para a recuperação e a coesão social", acrescentou a Unesco.
O bombardeio ao templo sagrado fundado por volta do ano 1050 gerou reações na comunidade internacional.
"A Europa quer a paz. A Rússia, por outro lado, demonstrou mais uma vez seu único interesse na violência e na destruição", afirmou a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, antes da cúpula do G7 programada para começar hoje em Évian-les-Bains, na margem francesa do Lago Léman.
"Discutiremos os próximos passos para aumentar a pressão sobre a Rússia, levar [o presidente russo Vladimir] Putin à mesa de negociações e pôr fim a esse massacre sem sentido", anunciou Von der Leyen nas redes sociais.
Para a primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, "quando os ataques não cessam nem mesmo diante de símbolos seculares do cristianismo", é necessário "apoio firme a Kiev", além dos "esforços pela paz".
"A agressão da Rússia contra a Ucrânia é inaceitável. Diante dos brutais ataques, não podemos nos omitir. A solidariedade é fundamental", declarou Meloni em coletiva de imprensa.
Já para o vice-premiê e ministro das Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani, "os ataques contra o sítio da Unesco são de uma gravidade inacreditável, demonstrando que a Rússia não quer se sentar à mesa de negociações".
"Kiev também é a capital religiosa de um mundo, portanto Moscou deve ter cuidado para não ferir os sentimentos de todos os cristãos e ortodoxos na Rússia", disse.
De sua parte, a Rússia negou que tenha bombardeado o famoso mosteiro do país vizinho. "Segundo informações confirmadas, os edifícios do Mosteiro das Cavernas, em Kiev, foram atingidos por um míssil do sistema de defesa aérea Patriot, de fabricação americana", afirmou o Ministério da Defesa de Moscou em nota.
"Uma das razões para o mau funcionamento deste sistema pode ser o fornecimento de mísseis com vida útil expirada ao regime de Kiev por países ocidentais. As Forças Armadas russas não planejam nem executam ataques contra infraestrutura civil", reforçou o ministério.
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