Internacional
Israel e colonos na Cisjordânia são alvo de novas sanções internacionais
'Não nos esqueçamos de Gaza', pediu Itália
Israel e seus colonos na Cisjordânia foram alvo de novas sanções internacionais nesta terça-feira (9) devido à violência contra a população palestina.
Hoje, a França anunciou que "proibiu a entrada em seu território do ministro israelense [das Finanças] Bezalel Smotrich, de quatro líderes de organizações de colonos [na Cisjordânia] e de 21 colonos violentos".
O anúncio foi feito pelo ministro das Relações Exteriores francês, Jean-Noel Barrot, segundo o qual, Smotrich "promove ativamente a anexação da Cisjordânia, que ele defende abertamente, além da criação de novos assentamentos no local, bem como, a recolonização de Gaza, o colapso econômico da Autoridade Palestina e suas consequências desastrosas para a população do enclave." Esta é "uma política que a vasta maioria da comunidade internacional, firmemente comprometida com a solução de dois Estados, não pode aceitar", frisou Barrot, comunicando ainda que, ao lado do Reino Unido, Canadá, Austrália, Nova Zelândia e Noruega, foi adotado um pacote para "novas sanções contra os responsáveis pela intensificação da atividade de assentamentos e da violência na Cisjordânia".
Ao mesmo tempo, o governo britânico pediu às empresas do Reino Unido que cessem todas as atividades na Cisjordânia ocupada.
"Se você é cidadão britânico ou representa uma empresa britânica, não deve realizar nenhuma atividade econômica ou financeira em assentamentos israelenses ilegais", afirmou a chefe da diplomacia de Londres, Yvette Cooper.
"Acreditamos que grupos de colonos violentos não devem lucrar com as terras que roubaram dos palestinos", acrescentou, afirmando que as condenações do governo israelense a alguns desses atos de violência "soam vazias" na ausência de medidas concretas para puni-los.
Israel reagiu às "vergonhosas medidas adotadas por governos estrangeiros contra cidadãos e entidades israelenses, além de um ministro".
"A verdadeira essência dessas medidas é uma tentativa de impor uma posição política em relação ao direito dos judeus de viver na Terra de Israel e em relação ao conflito com os palestinos, disfarçando-a como uma ação contra a violência", escreveu o Ministério das Relações Exteriores de Tel Aviv no X.
Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), "os civis palestinos estão sendo submetidos sistemática e deliberadamente a graves violações dos direitos humanos por todos os lados, presos entre as forças israelenses e os colonos de um lado e o regime do Hamas, que se baseia no medo, do outro".
A declaração foi dada nesta terça pela Comissão Internacional Independente de Inquérito das Nações Unidas sobre os Territórios Palestinos Ocupados.
"A violência perpetrada pelos colonos é consequência direta das políticas israelenses que apoiam, permitem e protegem suas ações, enquanto as forças ligadas ao Hamas exploram o vácuo criado pelos ataques implacáveis e pela destruição generalizada de Israel em Gaza", disse o presidente da Comissão, Srinivasan Muralidhar, em comunicado.
Em meio à crise no Oriente Médio, o vice-premiê da Itália e ministro das Relações Exteriores, Antonio Tajani, garantiu que o país irá manter "os corredores universitários abertos" para estudantes palestinos.
"No dia 2 de junho, mais 17 palestinos chegaram à Itália para estudar em nossas universidades, graças a bolsas de estudo concedidas pela Conferência de Reitores", disse Tajani, antes de acrescentar: "Já estamos trabalhando em novas iniciativas: o objetivo é formar a liderança do futuro Estado palestino, no qual, repito, o Hamas não tem lugar".
O diplomata lembrou que a Itália esteve entre os países que, desde o início, apoiaram as medidas contra os colonos violentos adotadas no Conselho de Assuntos Externos da União Europeia em 11 de maio, juntamente com novas sanções contra membros do Hamas.
"Não nos esqueçamos de Gaza", destacou Tajani, acrescentando que a Itália continua "a apoiar a população civil com ajuda e iniciativas específicas".
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