Internacional

Meloni volta a cobrar flexibilidade fiscal da UE para enfrentar crise energética

Premiê da Itália participou de entrevista em programa de TV

Redação ANSA 28/05/2026
Meloni volta a cobrar flexibilidade fiscal da UE para enfrentar crise energética
Meloni tem pedido para UE ajustar regras fiscais - Foto: ANSA

A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, reiterou na última quarta-feira (27) o pedido para que a União Europeia (UE) amplie a flexibilidade das regras orçamentárias atualmente aplicada aos gastos com defesa para incluir medidas de apoio a famílias e empresas afetadas pela alta dos preços da energia provocada pela guerra envolvendo o Irã.

Durante entrevista ao programa Mattino Cinque, do Canale 5, Meloni afirmou que a Europa precisa encontrar um equilíbrio entre os investimentos em segurança e o apoio econômico à população.

"Não podemos dizer aos cidadãos que só há dinheiro para a defesa", declarou a premiê, ressaltando que apoia o fortalecimento militar da Itália e da Europa, mas advertindo que, sem respostas às crises sociais e econômicas, "corremos o risco de não haver mais nada a defender neste país".

A chefe de governo argumentou que o fechamento do Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo, onde passa entre 20% e 25% do petróleo e do gás natural liquefeito (GNL) do mundo, e a instabilidade no Oriente Médio provocaram uma crise global que exige uma resposta comum da UE.

Segundo ela, a Itália solicitou à Comissão Europeia que a mesma flexibilidade concedida aos gastos com segurança e defesa seja aplicada às medidas de combate ao aumento dos custos de energia.

"Diante de uma crise global como a gerada pelo Irã e o fechamento do Estreito de Ormuz, não podemos presumir que os governos individualmente sejam capazes de responder com ferramentas comuns", disse.

Meloni destacou ainda que os preços dos combustíveis na Itália subiram menos do que em países como França e Alemanha e afirmou que a redução de impostos ajudou a conter uma escalada ainda maior nos valores.

Na entrevista, a premiê italiana também voltou a abordar a questão da imigração ilegal e criticou decisões judiciais que, segundo ela, dificultam a aplicação das políticas do governo.

"Se os cidadãos exigem o fim da imigração ilegal em massa e são aprovadas leis com o objetivo de fazer cumprir a lei e responder às necessidades dos cidadãos, então espera-se que aqueles que devem fazer cumprir essa lei trabalhem não para garantir que a lei seja contestada, mas sim para cumpri-la", afirmou.

Meloni mencionou ainda a Albânia como exemplo de cooperação eficaz e disse que o governo poderia agir "mais rapidamente" se todos os setores do Estado atuassem na mesma direção.

Ao comentar os recentes episódios de violência em Modena, onde um cidadão italiano deixou oito feridos em um atropelamento, a premiê alertou para o que definiu como uma "ameaça real do fundamentalismo islâmico" e relacionou o tema à política de endurecimento contra a imigração irregular.

"A ameaça do fundamentalismo islâmico é real.

Alguns já o denunciavam há muito tempo, e eu o denuncio desde antes de chegar ao poder", enfatizou Meloni, lembrando que "essa é também uma das razões por trás da nossa política de combate à imigração ilegal em massa".

De acordo com ela, a redução no número de chegadas de migrantes neste ano demonstra que as medidas do governo estão produzindo resultados significativos.

A líder italiana também exaltou a estabilidade de seu governo, afirmando que ela tem fortalecido a credibilidade internacional do país, atraído investimentos e permitido a implementação de estratégias de longo prazo.

Meloni disse esperar que a estabilidade política se torne uma "normalidade" na Itália, independentemente dos resultados das próximas eleições.

"A estabilidade tem sido uma grande oportunidade, fez a diferença, e por isso farei o meu melhor para garantir que esta nação permaneça estável durante toda esta legislatura", garantiu ela, assegurando que "não está preocupada" com uma possível rotatividade de membros.

Em setembro, o seu governo poderá tornar-se o mais longo da história da República, mas, segundo ela, "não se trata de recordes" Por fim, ao comentar as eleições locais recentes, a premiê minimizou as previsões da oposição sobre um suposto enfraquecimento de sua coalizão.

Citando a vitória do centro-direita em Veneza, Meloni ironizou as declarações da oposição, que havia afirmado que a esquerda venceria a disputa e "mandaria Meloni embora".