Internacional

Antitruste da Itália investiga Booking por supostas práticas comerciais desleais

Plataforma disse estar cooperando com autoridades e defendeu programas de parceria

22/04/2026
Antitruste da Itália investiga Booking por supostas práticas comerciais desleais
Instalações da plataforma na Itália foi alvo de inspeção - Foto: © ANSA/EPA

A Autoridade Antitruste da Itália anunciou nesta quarta-feira (22) a abertura de uma investigação contra a plataforma de reservas Booking.com, por suspeitas de práticas comerciais desleais.

Segundo o órgão regulador, a empresa estaria concedendo maior visibilidade nos resultados de busca, além de destaque gráfico e mensagens que enfatizam qualidade e custo-benefício, aos estabelecimentos participantes dos programas "Parceiro Preferencial" e "Parceiro Preferencial Plus", embora os critérios de elegibilidade não pareçam justificar as vantagens oferecidas.

"Na visão da Autoridade, a seleção para o Programa de Parceiros Preferenciais parece ser impulsionada principalmente por critérios que favorecem os fornecedores de hospedagem que pagam comissões mais altas à Booking.com, em vez da qualidade do serviço oferecido", diz o texto.

A investigação aponta ainda que a forma como esses estabelecimentos que fazem parte do programa são exibidos, somada às alegações de qualidade feitas pela plataforma, pode induzir consumidores a acreditarem que estão escolhendo opções mais vantajosas, o que poderia levá-los a pagar mais por acomodações.

Como parte do processo, inspeções foram realizadas na última terça-feira (21) nas instalações da Booking.com (Italia) S.r.l. por agentes da autoridade e da polícia financeira.

A associação de consumidores Codacons apoiou a investigação, destacando a importância da transparência em plataformas de reservas e enfatizando que a falta de critérios objetivos na promoção de estabelecimentos pode influenciar decisões de consumo e gerar prejuízos financeiros aos usuários.

Além disso, apontou que cerca de 70% das reservas de hotéis na Itália são feitas por plataformas especializadas, sendo a Booking.com responsável por aproximadamente 42% das reservas digitais.

"As pessoas que usam plataformas de reservas de hotéis como a Booking.com têm o direito à máxima transparência, porque os resultados e as informações oferecidas por esses sites podem influenciar as decisões financeiras dos consumidores", destacou a Codacons.

Em nota, a Booking.com afirmou estar cooperando com as autoridades e defendeu seus programas de parceria, ressaltando que as iniciativas são opcionais para os fornecedores.

De acordo com a plataforma, os programas estariam em conformidade com a legislação de proteção ao consumidor, buscando equilibrar os interesses dos parceiros e a oferta de opções aos clientes.