Internacional

Meloni descarta pedir voto de confiança do Parlamento após referendo

Premiê sofreu maior derrota política desde que assumiu o governo

Redação ANSA 24/03/2026
Meloni descarta pedir voto de confiança do Parlamento após referendo
Giorgia Meloni durante sessão na Câmara dos Deputados, em Roma - Foto: ANSA

A premiê da Itália, Giorgia Meloni, não pretende se submeter ao voto de confiança do Parlamento após a derrota no referendo sobre uma reforma judicial defendida pelo governo.

Segundo fontes qualificadas do Executivo ouvidas pela ANSA, a primeira-ministra avalia que não há uma crise política no momento, já que sua maioria no Legislativo continua inalterada.

De acordo com as mesmas fontes, também não está previsto nenhum encontro de Meloni com o presidente da República, Sergio Mattarella.

Nas últimas horas, jornais italianos divulgaram que a premiê poderia se reunir com o chefe de Estado e renovar o voto de confiança do Parlamento após a derrota no referendo, de forma a afastar pedidos por renúncia em parte da oposição.

A primeira-ministra se empenhou pessoalmente na aprovação da reforma, porém viu o "não" sair vencedor das urnas com placar de 53,74% a 46,26%, em sua maior derrota política desde que assumiu o governo italiano, em outubro de 2022.

A proposta promovia mudanças significativas na magistratura, como a separação das carreiras de juízes e promotores, impedindo a troca de funções; a criação de um tribunal superior para disciplinar membros do Judiciário; a divisão do Conselho Superior da Magistratura (CSM), órgão de autogoverno da categoria, em duas entidades; e a alteração na forma de eleição dos membros do CSM, que passaria a ser feita por sorteio.

O governo afirmava que era necessário separar procuradores e juízes em dois grupos profissionais distintos, pois tê-los no mesmo órgão criaria o risco de relações amistosas, o que poderia impedir que os réus tivessem um julgamento justo.

Já a oposição acusava o Executivo de tentar aumentar o controle sobre o Judiciário, sobretudo com as mudanças no CSM e a criação de um tribunal disciplinar, e de não abordar problemas estruturais da Justiça, como o prazo dos processos e a superlotação carcerária.