Internacional
Padre italiano relata amizade com papa Francisco em livro
Benito Giorgetta classificou argentino como 'afável, brincalhão e original'
Um padre italiano revelou sua relação de amizade de vários anos com o falecido papa Francisco, morto no dia 21 de abril de 2025, em um livro de memórias.
Intitulada "Conheci Francisco.
Uma Amizade Assimétrica" (Editora Tau), a obra narra a convivência entre o pároco Benito Giorgetta, da Igreja de San Timoteo, em Termoli, Molise, e o argentino Jorge Bergoglio.
"Sentimos falta de um pai, sentimos falta de um amigo", escreve o religioso ao encerrar seu livro de memórias sobre Francisco.
Ao longo do pontificado do argentino, Giorgetta participou de diversas audiências gerais de quarta-feira em Roma, encontros privados na Casa Santa Marta e até mesmo da viagem de Francisco à Jornada Mundial da Juventude em Lisboa, em agosto de 2023.
O primeiro encontro entre os dois aconteceu em 30 de outubro de 2019, das 16h20 às 17h45 (horário local), quando o Santo Padre recebeu Giorgetta pessoalmente em Santa Marta. "Encontros com o papa Francisco estão entre aqueles que você não quer perder ou desperdiçar nem uma gota, nem uma migalha, nem uma faísca", escreve o padre.
No prefácio da obra, Massimiliano Menichetti, diretor editorial adjunto da Vatican Media, destaca que uma das ligações centrais entre os dois é o entusiasmo compartilhado pelo Evangelho.
Segundo ele, o livro funciona também como "um laboratório de vida", mostrando como, por meio do trabalho de voluntários e doadores, pequenos e grandes projetos podem ser realizados.
Entre as iniciativas do próprio padre está a construção da igreja Santa Maria dell'Accoglienza, em Termoli, erguida com pedras reaproveitadas da praça da catedral, dos cais do porto e de casas rurais.
Muitos dos participantes do projeto foram ex-prisioneiros da comunidade local. "Assim como essas pedras recuperadas tornaram possível a construção de uma igreja admirada por todos e considerada antiga e preciosa, as pessoas rejeitadas pela sociedade, uma vez acolhidas, podem renascer", reflete Giorgetta.
O livro também traz várias anedotas sobre a vida cotidiana de Francisco, como sua batina branca pendurada na porta após voltar da lavanderia, os elevadores compartilhados com os outros moradores de Santa Marta, seu senso de humor diante de mosaicos que não o retratavam com auréola, além de telefonemas "sem filtro".
Para o pároco, Francisco era um Papa "afável, brincalhão, original, inesperado": "Surpreendentemente simples, tranquilo".
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