Internacional

Jubileu termina com fato inédito após 325 anos

Cerimônias de abertura e fechamento de Portas Santas foram feitas por papas distintos

Redação ANSA 06/01/2026
Jubileu termina com fato inédito após 325 anos
Leão XIV fechou porta aberta por Francisco - Foto: © ANSA/REUTERS

Com a morte do papa Francisco, em 21 de abril, e a eleição de Leão XIV como o 267º pontífice da Igreja Católica Romana, um fato histórico voltou a se repetir durante o Jubileu de 2025.

Nesta terça-feira (6), pela primeira vez em 325 anos, a abertura e o fechamento das Portas Santas ocorreram sob pontificados distintos — algo que não acontecia desde o Ano Santo de 1700.

O episódio remete ao Jubileu proclamado por Inocêncio XII, em 18 de maio de 1699, por meio da bula Regi Saeculorum. À época, o papa não conseguiu presidir plenamente as celebrações devido ao grave estado de saúde. No Domingo de Páscoa de 1700, mesmo debilitado, concedeu a bênção solene da varanda do Palácio do Quirinale aos peregrinos. Meses depois, em 27 de setembro, morreu sem poder encerrar o Ano Santo.

O fechamento daquele Jubileu ficou a cargo de Clemente XI, eleito papa em novembro de 1700, marcando pela primeira vez na história a abertura da Porta Santa por um pontífice e o encerramento por outro.

Situação semelhante ocorreu agora no Jubileu de 2025. O papa Francisco havia inaugurado o Ano Santo em 24 de dezembro de 2024, na véspera de Natal, com a tradicional abertura da Porta Santa da Basílica de São Pedro, no Vaticano, durante a missa do Natal do Senhor.

Além da Basílica de São Pedro, Francisco abriu Portas Santas na penitenciária romana de Rebibbia — um gesto inédito na história dos jubileus — e nas basílicas de São João de Latrão, Santa Maria Maggiore e São Paulo Fora dos Muros, todas em Roma.

Com a morte do pontífice argentino, coube a Leão XIV, eleito em 8 de maio, realizar o fechamento da Porta Santa da Basílica de São Pedro, consolidando o caráter excepcional do Jubileu deste ano.

Em entrevista à ANSA, o padre Arnaldo Rodrigues, assessor de imprensa da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), destacou o significado do momento. Segundo ele, trata-se de "um grande simbolismo", já que a abertura e o fechamento da Porta Santa representam "algo muito espiritual, quase atemporal".