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James Webb descobre cometa antigo que viajou bilhões de anos até o Sistema Solar
Observações do James Webb revelam que o cometa interestelar 3I/ATLAS tem composição inédita entre os conhecidos.
Observações do Telescópio Espacial James Webb (JWST, na sigla em inglês) revelaram que o cometa interestelar 3I/ATLAS é formado por minúsculos grãos de gelo misturados com poeira, uma composição diferente da observada nos cometas típicos do Sistema Solar. Apesar disso, suas características mostram semelhanças com alguns objetos gelados localizados além da órbita de Netuno, os chamados objetos transnetunianos (TNOs, na sigla em inglês).
Descoberto em 2025, o 3I/ATLAS foi apenas o terceiro objeto interestelar identificado atravessando o Sistema Solar, depois de 1I/'Oumuamua e 2I/Borisov. Por ter se originado em outro sistema estelar, o cometa ofereceu uma rara oportunidade para investigar como corpos semelhantes se formam em regiões distantes da Via Láctea, levando o JWST a acompanhá-lo desde sua chegada.
Os pesquisadores acreditam que o 3I/ATLAS se formou há cerca de dez a 12 bilhões de anos em um disco de gás e poeira ao redor de uma estrela jovem, muito antes do nascimento do Sistema Solar. Após ser expulso de seu sistema de origem, permaneceu vagando pelo espaço interestelar até alcançar nossa vizinhança cósmica. Como outros cometas, ele libera gases e partículas de gelo quando aquecido pelo Sol, formando uma coma e uma cauda detectáveis pelos instrumentos do JWST.
Mas ao analisar a composição do objeto com o espectrógrafo NIRSpec, os cientistas encontraram uma assinatura inesperada. Enquanto cometas do Sistema Solar apresentam linhas de absorção de gelo de água em três, dois e 1,5 mícrons, o 3I/ATLAS exibiu apenas a forte assinatura em três mícrons. A ausência das demais características conhecidas intrigou a equipe e indicou que o gelo estava presente em uma forma incomum.
Modelos computacionais sugeriram que o cometa é composto por grãos submicrométricos de gelo de água altamente contaminados por poeira. Em contraste, os cometas do Sistema Solar costumam conter grãos muito mais puros. Segundo os pesquisadores, essa diferença preserva informações sobre o ambiente onde o objeto se formou, oferecendo pistas sobre as condições dos discos protoplanetários que dão origem a planetas.
A comparação com corpos do Sistema Solar externo revelou outra conexão importante. O espectro do 3I/ATLAS se assemelha ao de alguns TNOs ricos em dióxido de carbono e compostos orgânicos. Um estudo anterior com o JWST já havia mostrado que o objeto possui uma das maiores abundâncias de dióxido de carbono já registradas em um cometa, reforçando essa semelhança.
Por fim, os resultados indicam que o 3I/ATLAS pode ter se formado a partir de material semelhante ao que originou certos TNOs, ou até mesmo ser um fragmento de um desses corpos destruído por colisões em seu sistema natal, sugerindo que os blocos fundamentais da formação planetária podem compartilhar propriedades em diferentes sistemas estelares.
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