Geral
Cleitinho critica boicotes contra apoiadores de Lula e desafia políticos a abrir mão de salários
Governador eleito de Minas Gerais condenou retaliações contra comerciantes e trabalhadores por divergências políticas e criticou parlamentares que incentivam campanhas.
O senador e governador eleito de Minas Gerais, Cleitinho Azevedo (Republicanos), criticou neste domingo (1º) campanhas de boicote contra empresários, comerciantes e prestadores de serviços que declararam apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), reeleito no segundo turno das eleições presidenciais, em 25 de outubro.
Em vídeo publicado nas redes sociais, Cleitinho também condenou a exposição e a humilhação de uma criança por causa da preferência política de sua família. O senador criticou parlamentares que incentivam retaliações e desafiou políticos a abrirem mão dos próprios salários e privilégios.
"Está na hora de abrir mão do salário e dos privilégios, até porque quem paga essas mordomias são os trabalhadores e os empresários de todo o Brasil", afirmou. Segundo ele, os recursos destinados ao pagamento da classe política vêm dos impostos recolhidos pela população e pelas empresas.
Para defender seu posicionamento, Cleitinho relatou uma experiência pessoal envolvendo uma mulher que o abordou em uma academia e disse ter votado em Lula, apesar de ter apoiado sua candidatura. O senador afirmou que recebeu a declaração com naturalidade e lembrou que, quando trabalhava no comércio do pai, nunca questionava a preferência política dos clientes.
"Todos os clientes que compravam lá no varejão, nunca perguntei se eles eram Bolsonaro, se era Lula, se era de direita ou de esquerda. Isso nunca teve lá dentro do varejão."
O governador eleito também comparou as divergências políticas às rivalidades entre torcedores de futebol e questionou se a preferência eleitoral deve determinar o caráter de uma pessoa ou suas relações pessoais.
Divergência com Nikolas Ferreira
O posicionamento de Cleitinho contrasta com o do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), que manifestou apoio às campanhas de boicote contra empresários, artistas e influenciadores que votaram em Lula.
Nikolas defendeu que consumidores têm o direito de escolher onde gastar o próprio dinheiro e que não deveriam fortalecer pessoas cujos princípios considera incompatíveis com os seus. O parlamentar também compartilhou relatos de empresários que afirmaram ter perdido clientes após manifestarem apoio ao presidente.
As campanhas de retaliação ganharam força após o segundo turno das eleições presidenciais. Em Minas Gerais, listas com nomes de estabelecimentos identificados como apoiadores de Lula passaram a circular nas redes sociais, acompanhadas de incentivos para que consumidores deixassem de frequentá-los. Também foram registrados relatos de empresários que defenderam a demissão de trabalhadores por posicionamento político.
Cleitinho já havia criticado as retaliações em 28 de outubro, quando defendeu que as cobranças fossem direcionadas à classe política, e não a comerciantes e trabalhadores.
Mais lidas
-
1DO PLANALTO AO COLINHO
“Papai Trump”: Flávio vira alvo de memes após saída do Brasil; veja vídeo de IA
-
2POLÍTICA
Veja os resultados das eleições neste início da apuração
-
3ELEIÇÕES
Acompanhe minuto a minuto o 2º turno das eleições no Brasil 2026
-
4LULA LÁ
Paulista tomada por multidão; estimativas falam em 2 milhões no ato do presidente Lula; veja vídeo
-
5POLÍTICA
Marco Rubio articulou saída de Flávio Bolsonaro do Brasil, diz aliado