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Carta de Flávio é ignorada por 75% dos eleitos do PL e amplia isolamento, diz mídia

Levantamento da mídia brasileira mostra que 75% dos eleitos do PL ignoraram a carta em que Flávio Bolsonaro questiona o resultado das eleições e se autoproclama vencedor. A baixa adesão expôs o isolamento do senador dentro da legenda, enquanto dirigentes tentam afastar o partido do discurso de fraude e reorganizar a oposição.

Por Sputnik Brasil 31/10/2026
Carta de Flávio é ignorada por 75% dos eleitos do PL e amplia isolamento, diz mídia
Flávio Bolsonaro teve carta ignorada pela maioria dos eleitos do PL, evidenciando seu isolamento político. - Foto: © Lula Marques/Agência Brasil

A carta publicada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), na qual voltou a questionar o resultado das eleições e se declarou o "verdadeiro presidente eleito", foi ignorada por 75% dos políticos eleitos pelo Partido Liberal (PL) neste ano. Segundo o levantamento de um jornal de grande circulação no país, apenas 38 dos 155 parlamentares e governadores da sigla compartilharam ou defenderam o documento, enquanto o restante nem sequer se manifestou.

A baixa adesão reflete um esforço da direção partidária para afastar o partido da narrativa de fraude eleitoral. Dirigentes avaliam que insistir em acusações sem evidências pode prejudicar a atuação da oposição, desgastar a imagem da legenda e provocar reações institucionais. Apesar disso, o episódio evidenciou divisões internas sobre a estratégia a ser adotada após a derrota eleitoral.

Flávio foi derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva por uma diferença de 4,4 milhões de votos. Após a repercussão negativa da carta, ele substituiu a expressão "verdadeiro presidente eleito" por "líder do Brasil", mas manteve os questionamentos ao resultado do pleito, o que não o livrou do julgamento da Internet e da enxurrada de memes ridicularizando o texto alegando que tinha sido feito por inteligência artificial, incluindo um brasão da República utilizado pelo senador que trazia Brasil escrito com "Z".

Apesar da baixíssima adesão à carta, o levantamento mostrou ainda que 86% dos eleitos do PL não reconheceram publicamente a vitória do presidente Lula. O grupo analisado inclui 121 deputados federais, 28 senadores e seis governadores. A ausência de manifestações, porém, não significa necessariamente rejeição ao resultado, já que parte dos parlamentares optou apenas pelo silêncio.

Entre os integrantes da sigla que reconheceram a vitória de Lula estão Marcio Bittar, André Fernandes, Major Vitor Hugo e Rosangela Moro. Major Vitor Hugo afirmou que a diferença de votos e o reconhecimento do resultado pelas instituições tornavam improvável qualquer reversão, enquanto André Fernandes disse que não pretendia alimentar questionamentos sobre as urnas.

No grupo que apoiou a carta estão nomes como Magno Malta, Jorge Seif, Gustavo Gayer, José Medeiros e Nikolas Ferreira. Alguns reforçaram acusações de fraude ou divulgaram o documento nas redes sociais. A mobilização desse grupo demonstra as dificuldades enfrentadas pela direção do PL para afastar a legenda do discurso de contestação eleitoral.

Mas, ainda de acordo com a apuração, a preocupação de dirigentes aumentou com os planos de Flávio de viajar a Washington após deixar o Brasil. Segundo aliados, ele busca ampliar contatos com integrantes do governo de Donald Trump, incluindo o secretário de Estado, Marco Rubio, e parlamentares republicanos, mas analistas avaliam que se sua intenção era "liderar a oposição" à distância, o projeto nasceu naufragado, como ficou evidente a partir da ida de seu irmão, Eduardo Bolsonaro, que viu sua influência derreter até a perda de seu mandato.

O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, criticou publicamente a carta e afirmou que o partido pretende concentrar seus esforços na reorganização da oposição e na atuação no Congresso. Ele mesmo, já tratou de visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro (preso por tentativa de golpe de Estado, cumprindo pena em regime domiciliar humanitário por questões de saúde) e posteriormente se reuniu com a senadora Michelle Bolsonaro (PL-DF).