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Ibovespa tem pior semana em seis anos com pressão externa e fiscal

Desempenho negativo é reflexo das incertezas econômicas e externas

Juliana Machado 30/10/2026
Ibovespa tem pior semana em seis anos com pressão externa e fiscal
Ibovespa tem pior semana em seis anos com pressão externa e fiscal - Foto: Depositphotos

O Ibovespa encerrou a semana sob forte pressão, em um movimento que combinou a reprecificação dos ativos após as eleições, piora das expectativas para os juros e o quadro fiscal no Brasil, além de um ambiente externo de maior aversão ao risco. A correção ganhou força com a desmontagem de posições construídas antes do segundo turno, resultando na redução do apetite por ativos brasileiros.

No fim dos negócios, o Ibovespa chegou a se afastar da mínima do dia, em 167.007,57 pontos, mas não se sustentou nos 168 mil pontos, encerrando em queda de 0,75%, aos 167.921,80 pontos. Na semana, o índice acumulou queda de 18,12%, a maior desde março de 2020, quando cedeu 18,88%. No mês, o Ibovespa teve uma baixa acumulada de 9,88%, o pior desempenho desde junho de 2022, que registrou queda de 11,5%. A expressiva desvalorização das ações já fez o índice devolver boa parte dos ganhos do ano, que agora estão em 4,22%. O giro da sessão foi de R$ 31 bilhões.

O sócio-cofundador e head de renda variável da Lince Investimentos, Lucas Castro, avalia que o mercado ainda busca um novo ponto de equilíbrio diante da incerteza sobre a política econômica brasileira a partir do ano que vem.

"O mercado brasileiro segue pressionado pelos reflexos do resultado das eleições, que provocou uma forte reprecificação dos ativos diante das incertezas sobre a condução da política econômica e fiscal", afirma. "Esse movimento é agravado pelo desmonte de posições de investidores que apostavam em uma vitória da oposição, provocando saída de recursos e mudanças nas expectativas para a trajetória dos juros."

A economista, sócia e advisor da Blue3 Investimentos, Bruna Centeno, comenta que a pressão doméstica encontrou um exterior também desfavorável, com o petróleo em alta, preocupações renovadas com a inflação e juros globalmente, além de cautela com ações de tecnologia, após balanços decepcionantes, como se viu no caso da Amazon e da Intel. O petróleo Brent já é negociado na casa dos US$ 113 o barril, com um avanço de 15,7% no mês.

O economista e head de renda variável da Fami Capital, Gustavo Bertotti, também vê o cenário fiscal como condição para uma estabilização mais consistente dos ativos. "O que o mercado vai cobrar, independentemente de quem assumisse o País, é um plano crível para a questão fiscal. Enquanto isso não vier, acredito que o prêmio de risco continuará elevado", afirma.

Na avaliação de Bertotti, novembro ainda deve exigir cautela, sobretudo em empresas mais sensíveis ao custo do dinheiro. Ele acredita que, se a curva de juros se mantiver nos níveis atuais, empresas cíclicas e endividadas devem continuar enfrentando dificuldades. "O mercado deve se voltar para ativos mais defensivos, empresas com fundamentos sólidos, previsibilidade de receita e, em alguns casos, receitas atreladas ao dólar", descreve.

O gestor de portfólio do Banco Sofisa, Rafael Pastorello, destaca que o ambiente internacional também reduziu o apetite por risco ao longo da semana. Apesar da manutenção das taxas de juros nos Estados Unidos, na zona do euro e no Japão, ele afirma que os bancos centrais reforçaram preocupações quanto aos impactos da guerra no Oriente Médio e seus potenciais efeitos inflacionários.