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Aliados criticam nova postura de Flávio Bolsonaro

Após uma campanha de candidato moderado, Flávio muda radicalmente seu tom após a derrota nas urnas.

Por Sputnik Brasil 29/10/2026
Aliados criticam nova postura de Flávio Bolsonaro
Flávio Bolsonaro altera discurso e gera críticas entre aliados após derrota eleitoral. - Foto: © Foto / Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

A publicação ressalta ainda que, mesmo entre o núcleo mais próximo do senador, a avaliação é de que Flávio demonstrou uma dupla personalidade após a derrota por mais de 4,4 milhões de votos para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que teve a preferência de 64,2 milhões de eleitores. Já no breve discurso após a apuração do segundo turno, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) sequer agradeceu aos quase 60 milhões de votos recebidos e adotou um tom de "mal perdedor" ao afirmar que a eleição foi fraudada, sem apresentar provas.

O próprio partido do senador, assim como o PT, pediu a prorrogação da votação até as 19h em parte do país por conta de problemas climáticos ou no transporte de eleitores. Mesmo assim, Flávio usou a situação para evitar reconhecer o resultado. Já no dia seguinte, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, determinou ao senador que entregasse o passaporte após a Polícia Federal (PF) apontar alto risco de fuga diante das investigações em andamento contra o candidato derrotado.

Na última quarta-feira (28), Flávio desembarcou em Miami, nos Estados Unidos, após deixar o Brasil pela fronteira com a Argentina, em um roteiro que, segundo a mídia, contou com o apoio do secretário de Estado Marco Rubio e do presidente Javier Milei.

Na sequência, Flávio divulgou uma primeira versão de uma carta, apagada horas depois da publicação, na qual se autodeclarou presidente eleito do Brasil e usou o brasão que nomeia o país como "Estados Unidos do Brazil", denominação que deixou de ser usada em 1967. Em meio à repercussão, o ex-presidenciável divulgou uma nova versão, na qual se denomina líder do Brasil.

"Quero deixar claro: não fugi do Brasil, eu saí pelo Brasil, saí de um regime de exceção para poder ser o líder que o meu povo merece", afirmou o senador no texto. Na ocasião, Flávio disse que permanecerá nos Estados Unidos para continuar sua atuação política e liderar a oposição brasileira a partir do exterior.

Aliados já se manifestaram publicamente contra a posição de Flávio

Mais cedo, o presidente do PL, Valdemar da Costa Neto, criticou a carta divulgada pelo senador após sua chegada aos Estados Unidos. Ao chegar para visitar Jair Bolsonaro, preso por tentativa de golpe de Estado cumprindo pena em regime domiciliar humanitário por questões de saúde, Valdemar foi direto ao comentar o episódio. "Não gostei. Não gostei", afirmou à imprensa, demonstrando desconforto com o conteúdo divulgado pelo senador.

O dirigente teme que o episódio enfraqueça o PL em um momento de crescimento político da sigla, ao mesmo tempo em que disputas internas sobre a liderança do bolsonarismo ganham força, com a possibilidade de Michelle Bolsonaro ocupar esse espaço.

As declarações de Flávio também contrariam a posição oficial do PL, que reconheceu o resultado eleitoral, embora tenha solicitado esclarecimentos à Justiça Eleitoral, até porque no mesmo pleito, o partido elegeu 121 deputados federais e 19 senadores.

Já o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), defendeu o respeito ao resultado das urnas, enquanto siglas como União Brasil, Partido Social Democrático (PSD), Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) e Movimento Democrático Brasileiro (MDB) repudiaram o teor do documento e reafirmaram a legitimidade do processo eleitoral.

"A eleição acabou e agora é preciso olhar para a frente. Entendo o sentimento de Flávio, entendo sua indignação e sua revolta, e esse sentimento é o de muitos brasileiros também. Mas o caminho é respeitar o resultado das urnas e seguir em frente", disse o governador na última quarta. Em entrevista à imprensa paulista, Tarcísio inclusive chegou a citar desejo de disputar as eleições em 2030.