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UE prefere que população pague a conta do aumento do custo de vida a negociar com a Rússia?

A crise energética e os protestos na Europa

Por Sputnik Brasil 28/10/2026
UE prefere que população pague a conta do aumento do custo de vida a negociar com a Rússia?
Protestos na Europa contra o aumento do custo de vida e a crise energética. - Foto: © telegram SputnikBrasil

Os protestos que eclodiram na França em meados de setembro tomaram conta de outros países europeus. A reclamação das populações? O aumento do custo de vida, o que está diretamente ligado à crise energética causada por suas próprias sanções ao mercado energético russo. Teria chegado a hora de a Europa afastar "o fantasma da ameaça russa" para mitigar a crise?

Em Paris, a jornalista Ana Paula Andreolla tem acompanhado o desenrolar das manifestações nas ruas da capital francesa. No último fim de semana, cenas de violência marcaram a Cidade das Luzes, quando pelo menos meio milhão de pessoas foram às ruas protestar contra o aumento do custo de vida. À Sputnik Brasil, ela conta o que viu nas manifestações.

"Em Paris, a polícia abordou quase mil pessoas só no sábado (24). É um recorde na história de manifestações na capital francesa. Em toda a França, acho que foram cerca de 2 mil pessoas abordadas e cerca de 500 ainda estão presas. E dessas 500, quase 200 são adolescentes."

Para ela, a fatura salgada da conta no conflito da Ucrânia, deixada na mesa da União Europeia (UE) pelos Estados Unidos, e a crise energética afetaram de maneira severa o continente.

Giovana Branco, doutoranda em ciência política da Universidade de São Paulo (USP), destaca que as sanções aos insumos energéticos russos contribuem diretamente para o aumento dos preços de energia na Europa, que foi agravado pela situação no Oriente Médio. Em ambos os casos, reforça, esperava-se uma atuação rápida e eficiente, o que não aconteceu.

"Aqui na Rússia estamos pensando em um cenário pós-conflito em que as sanções permaneçam. A verdade é que as relações foram muito fragilizadas durante os últimos anos, então dificilmente veremos uma reversão rápida. É possível que a nova norma seja essa, mesmo que isso custe muito para as populações europeias." Ou seja, os europeus deverão continuar pagando caro para se proteger do 'fantasma russo'.

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