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Líder do governo no Senado vê 2027 com desafios e defende diálogo para governabilidade

Em entrevista à Sputnik Brasil, senadora Teresa Leitão (PT-PE) analisa os desafios do governo Lula e suas prioridades.

Por Sputnik Brasil 28/10/2026
Líder do governo no Senado vê 2027 com desafios e defende diálogo para governabilidade
Teresa Leitão destaca prioridades do governo e os desafios para 2027 em entrevista. - Foto: © Foto / Mariana Leal

Antes de olhar para o ano que vem, a parlamentar afirma que o governo espera conseguir a aprovação de propostas ainda neste ano. Uma delas é a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública (18/2025), que já possui parecer aprovado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e requerimento de calendário especial de tramitação aprovado.

"Na hora que tivermos condições de colocar no plenário, que eu espero que seja na próxima semana, ela será votada", diz a senadora.

Teresa Leitão destaca também o compromisso do governo com a PEC 18/2026, que estabelece tarifa zero no transporte público coletivo urbano aos sábados, domingos e feriados em todo o Brasil. Além disso, ela menciona como pautas deste ano a votação do orçamento e a complementação da reforma tributária, todas com impacto no próximo ano.

A senadora ressalta ainda o compromisso fiscal do governo e as reformas tributária e de renda, com foco nas necessidades de 2027, quando também tramitam nos estados a regulamentação do Sistema Nacional de Educação e do Plano Nacional de Educação.

"O presidente disse que vai focar em saúde e educação. O que fizemos no SUS foi significativo, mas o presidente deseja mais", afirma.

Ano desafiador para a governabilidade do presidente?

A líder do governo no Senado não esconde que será desafiador exercer a governabilidade a partir do próximo ano, especialmente com o principal partido da oposição, o Partido Liberal (PL), ocupando mais de um terço das cadeiras na Câmara Alta. O clima agro atual é de incerteza, uma vez que a liderança do partido, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), derrotado nas eleições presidenciais no último domingo, fugiu do Brasil após uma ordem de apreensão do passaporte pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

"Não sei quem coordenará essa oposição", observa, enfatizando que a liderança do PL, após receber quase 60 milhões de votos e expandir sua bancada, viu seu principal representante deixar o país em direção aos Estados Unidos.

Após a entrevista, Flávio Bolsonaro, já nos EUA, publicou uma carta golpista na rede social X se autodeclarando presidente eleito do Brasil. No comunicado, chamou a atenção o brasão que continha um erro: ao invés de 'República Federativa do Brasil', o senador utilizou o emblema escrito Estados Unidos do Brazil, nome esse que foi oficialmente usado entre 1889 e 1967. O documento foi apagado e repostado com o brasão correto, e posteriormente, ele também mudou sua denominação, trocando 'presidente eleito' por 'líder'.

Do lado governista, Teresa Leitão promete diálogo da coalizão. "Temos ciência de que, sozinhos, não temos números suficientes para aprovar matérias, precisamos seguir com o diálogo".

PT vai apoiar reeleição de Alcolumbre na presidência do Senado?

Até o momento, segundo a senadora, apenas um candidato foi anunciado para a presidência do Senado em 2027: o senador Rogério Marinho (PL-RN). Apesar disso, acredita-se que o atual presidente da casa, Davi Alcolumbre (União-AP), deverá tentar a reeleição. A definição do apoio do Partido dos Trabalhadores (PT) a ele ainda não foi tomada.

Uma reunião da bancada do PT, com senadores atuais e os eleitos, ocorrerá na próxima semana para delinear a posição do partido em relação à eleição da presidência do Senado, conforme Teresa Leitão disse à Sputnik Brasil.

"Reuniremos toda nossa equipe para definir uma posição sobre a eleição. Acreditamos que será na próxima terça ou quarta-feira, anunciando nossa decisão. Vamos analisar cuidadosamente o cenário, considerando a importância do PT, que tem a segunda maior bancada do Senado, e nossa responsabilidade em representar o partido do presidente da República. Queremos dialogar, pois sabemos que sozinhos não podemos aprovar nada, precisamos fazer acordos e coalizões, e nos prepararemos para isso. Se após as discussões decidirmos apoiar o presidente Alcolumbre, tornaremos isso público na próxima semana."