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Ibovespa despenca com cautela fiscal e expectativa da decisão de juros nos EUA

Mercado aguarda deliberações do Federal Reserve e balanceia incertezas sobre políticas do governo Lula.

Maria Regina Silva 28/10/2026
Ibovespa despenca com cautela fiscal e expectativa da decisão de juros nos EUA
Ibovespa - Foto: Depositphotos

O Ibovespa despenca nesta quarta-feira, apesar da alta das commodities e da maioria dos índices das bolsas em Nova York e na Europa. O mercado aguarda a decisão de política monetária do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), às 15 horas, seguida de entrevista de seu presidente, Kevin Warsh. No Brasil, continuam as incertezas, por parte do mercado financeiro, sobre as políticas econômica e fiscal no quarto mandato do presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e sobre as indicações políticas para os ministérios, em especial o da Fazenda.

"Bancos puxando, com queda forte. O que 'salva' é Petrobras, que recua bem pouco," diz Luciano França, sócio-fundador e gestor de renda variável da Paramis Avantgarde.

Além disso, está no radar a informação de que a equipe econômica do governo federal estuda a cobrança do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre títulos que hoje são isentos de Imposto de Renda - Letra de Crédito Imobiliário (LCI), Letra de Crédito do Agronegócio (LCA), Certificado de Recebíveis Imobiliários (CRI), Certificado de Recebíveis do Agronegócio (CRA) e debêntures incentivadas. Atualmente, a alíquota de IOF sobre essas aplicações é zero.

"O cenário de crédito privado seguirá desafiador. O que dá esse tom mais negativo à Bolsa é essa ideia de tributação em títulos isentos. Acaba afetando a pessoa física na ponta. Empresas que dependem de captação de títulos isentos sofrem. Afeta setores como imobiliário e de infraestrutura," afirma França, da Paramis.

O nível de incerteza fiscal permanece elevado. "O mercado espera algum sinal sobre austeridade fiscal. O governo parece não reagir muito neste sentido. Pelo teor da disputa eleitoral no segundo turno, há uma enorme dúvida sobre se isso vai acontecer," diz Gabriel Gonçalves, analista de alocação da Ghia Multi Family Office.

A safra de balanços do terceiro trimestre também concentra as atenções. Aqui, os resultados do Santander Brasil, Klabin, Hypera e Movida estão em foco. Após o fechamento dos mercados, a Petrobras divulgará seus dados de produção e vendas. No exterior, Microsoft e Alphabet divulgarão balanços após o fechamento do mercado em Nova York nesta quarta-feira.

Diante da nova escalada nos preços do petróleo, o governo prorrogou por 30 dias, até 26 de novembro, a subvenção de R$ 2,12 por litro de diesel, com custo estimado em R$ 10,5 bilhões mensais. Também permanece no radar a fuga do candidato derrotado à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL).

"O mercado ficou órfão momentaneamente. Há um misto de cautela e decepção. Não sabemos se haverá uma reviravolta ou uma crise diplomática entre Brasil e Estados Unidos," comenta o analista Felipe Sant’Anna, especialista em ações da Axia Investing.

Além disso, a equipe econômica do presidente Lula está preparando um projeto de lei complementar (PLP) visando que, a partir de 2027, o governo possa controlar os gastos para alcançar o centro da meta de superávit primário para aquele ano, de R$ 73,2 bilhões, ou 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB).

"O mercado ainda espera alguma sinalização mais concreta quanto ao fiscal. Isso é o que poderia acalmar ou reverter parte dessa queda," afirma Renato Widmer, CIO e gestor da Aurum Wealth Management.

Entre os balanços, o Santander Brasil registrou uma queda de 28% no lucro líquido gerencial recorrente, com R$ 2,9 bilhões no período, na comparação anual, e uma baixa de 4,3% em relação ao segundo trimestre de 2026. O resultado alinhou-se ao esperado.

Em relação à decisão do Fed, a expectativa majoritária é de manutenção dos juros, com possibilidade de alta em dezembro.

Na sessão anterior, o Ibovespa fechou em baixa de 0,51%, aos 175.710,05 pontos.

Às 11h45, o Índice Bovespa registrava uma queda de 2,93%, aos 170.564,36 pontos, com mínima em 170.297,16 pontos (-3,08%), vindo de uma abertura na máxima em 175.711,22 pontos.

O petróleo Brent - referência para a Petrobras - subia 1,73%, para US$ 115,85 o barril, em Londres. Em Dalian, o minério fechou em alta de 1,05%. Vale, porém, caía 1,78%. As units do Santander cediam 4,37%, e as ações da Petrobras mostravam variações de -0,28% (PN) e -0,03% (ON).