Geral

Mídia: bolsonaristas acumulam fugas ao exterior após derrotas e processos judiciais

Flávio Bolsonaro se une a aliados que deixaram o país após reveses judiciais e problemas legais.

Por Sputnik Brasil 28/10/2026
Mídia: bolsonaristas acumulam fugas ao exterior após derrotas e processos judiciais
Flávio Bolsonaro deixa o Brasil, aumentando lista de bolsonaristas que fugiram após reveses judiciais. - Foto: © AP Photo / Eraldo Peres

De acordo com apuração de um jornal de grande circulação, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) teria deixado o Brasil menos de 48 horas após ser derrotado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na eleição presidencial. A saída aconteceu pouco tempo depois de o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, determinar o cancelamento de seus passaportes e proibir sua saída do país a pedido da Polícia Federal (PF), que alertou sobre risco de fuga, uma vez que o senador era indiciado em uma série de crimes, e seu irmão Eduardo Bolsonaro havia declarado publicamente que, em caso de derrota, Flávio deveria seguir para os EUA.

Ainda na terça-feira (27), a PF afirmou que apurava a veracidade das informações de que o senador havia deixado o país, buscando esclarecer seu caminho, se ele tinha atravessado a Argentina antes de seguir para os EUA ou se utilizou outra rota, possivelmente passando pela Venezuela. Segundo um site argentino, ele teria cruzado a fronteira com documento de identidade e embarcado rumo aos Estados Unidos via Porto Iguaçu.

Mais tarde, conforme a Direção Nacional de Migrações do governo argentino, o senador, sua esposa Fernanda e as filhas Carolina e Luiza teriam apresentado documentação válida de viagem, sem impedimentos legais para entrar no território argentino. Logo após, a comitiva teria embarcado em um jato para o Equador, conforme o plano de voo informado às autoridades locais.

A saída de Flávio replica uma trajetória já adotada por outros integrantes do bolsonarismo. Entre eles, estão o irmão e ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-RJ), a ex-deputada (PL-SP) Carla Zambelli, o ex-diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e ex-deputado federal Alexandre Ramagem, e o ex-diretor da Polícia Rodoviária Federal (PRF) Silvinei Vasques, todos alvos de investigações ou condenações judiciais.

Eduardo Bolsonaro foi o primeiro a deixar o país, em março de 2025. Instalado nos Estados Unidos, buscou apoio do governo de Donald Trump contra Alexandre de Moraes e acabou protagonizando uma série de publicações nas redes sociais em que reclamava responsabilidades pelo Tarifaço contra o Brasil, comemorando as medidas de Washington, especialmente as sanções a autoridades por intermédio da Lei Magnitsky.

Posteriormente, Eduardo se tornou réu no STF, acusado de coação relacionada à tentativa de interferir em processos envolvendo seu pai. A Câmara também cancelou seu passaporte diplomático após a cassação de seu mandato.

Segundo informações, Eduardo chegou a considerar uma candidatura ao Senado por São Paulo como suplente de André do Prado, mas desistiu ao concluir que a Justiça Eleitoral poderia barrar sua participação devido à sua condição de inelegível. O plano previa um eventual retorno à política institucional, caso houvesse espaço para assumir uma cadeira no Senado, mas pretendia fazê-lo à distância.

Carla Zambelli foi outra aliada do clã Bolsonaro que deixou o Brasil após ser condenada por participação em um ataque hacker contra sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e pelo episódio em que sacou uma arma contra um homem às vésperas do segundo turno das eleições de 2022. Ela teria ido para os EUA e de lá partido para a Europa, sendo presa posteriormente na Itália (país no qual tem cidadania) em virtude de uma ação conjunta das polícias brasileira e italiana, após inclusão de seu nome na lista de difusão vermelha da Interpol como foragida.

Zambelli renunciou ao mandato após a Câmara rejeitar sua cassação e depois de o STF determinar a perda de seu mandato. Presa na Itália, ela aguarda decisão da Justiça local sobre seu processo de extradição.

Alexandre Ramagem também se mudou para os Estados Unidos após deixar o Brasil em 2025. Condenado no processo relacionado à tentativa de golpe de Estado, o ex-delegado da PF teve o mandato cassado e foi demitido da corporação. Antes da eleição presidencial deste ano, declarou pretender retornar ao Brasil, caso Flávio Bolsonaro vencesse, na expectativa de obter anistia ou revisão de sua condenação.

Por sua vez, Silvinei Vasques foi preso no Paraguai ao tentar embarcar para El Salvador. Condenado pelo STF a mais de 24 anos de prisão por participação na trama golpista, o ex-diretor da PRF teria rompido a tornozeleira eletrônica e utilizado passaporte de outra pessoa para evitar identificação pelas autoridades. Atualmente, cumpre pena na ala especial do Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília.

Conforme analistas e observadores políticos, Flávio Bolsonaro preferiu abandonar o Brasil a enfrentar a Justiça, ignorando a expressiva quantidade de votos depositados em seu projeto político, o que, segundo declarações de aliados, surpreendeu a todos. O coordenador de sua campanha, o senador Rogério Marinho (PL), afirmou ter sido surpreendido pela notícia, já que havia discutido como Flávio lideraria a oposição em um quarto governo Lula pouco após a derrota nas urnas.