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Smart Sampa: reconhecimento facial será exigido para acessar sistema de câmeras da Prefeitura

A nova medida ocorre após vazamento de dados que expôs informações sigilosas.

Gonçalo Junior 27/10/2026
Smart Sampa: reconhecimento facial será exigido para acessar sistema de câmeras da Prefeitura
Smart Sampa: reconhecimento facial será exigido para acessar sistema de câmeras da Prefeitura - Foto: Reprodução / Agência Brasil

Para acessar o sistema de câmeras de videomonitoramento do Smart Sampa, os servidores da Prefeitura de São Paulo terão de usar o recurso do reconhecimento facial. A medida foi anunciada pelo prefeito Ricardo Nunes (MDB) nesta terça-feira, 27.

A adoção do novo recurso de segurança ocorre uma semana depois do vazamento de dados no Smart Sampa que expôs informações sigilosas e o acesso a mais de 58 mil câmeras. O vazamento foi revelado pelo portal UOL.

De acordo com a reportagem, informações sigilosas ficaram expostas por 11 meses, permitindo o acesso indevido a imagens de câmeras conectadas à plataforma, incluindo equipamentos instalados em ruas, escolas, creches e hospitais da capital paulista.

A Prefeitura de São Paulo confirmou o vazamento, afirmou ter retirado o repositório do ar, mas negou que tenha ocorrido uma falha de segurança. Segundo a gestão municipal, os dados foram divulgados ilegalmente por um agente que tinha acesso autorizado ao sistema.

Segundo o prefeito, o servidor está sendo investigado. Trata-se de um funcionário concursado, que ingressou em 2023 no poder municipal. "Ele está afastado e o processo deve culminar na sua demissão. A Prefeitura já vinha monitorando esse caso", reafirmou Ricardo Nunes.

Especialistas em cibersegurança criticaram a ausência de autenticação em dois fatores, medida que foi adotada após o vazamento. O prefeito voltou a negar falha estrutural no sistema. "Não houve invasão".

Reconhecimento facial para o Ministério Público

A nova forma de acesso será exigida também dos promotores do Ministério Público de São Paulo, que assinou parceria de cooperação com a Prefeitura para acessar o sistema de monitoramento.

As câmeras do Smart Sampa são utilizadas pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público. O sistema também vai auxiliar na identificação de agressores domésticos que ainda não tenham sido notificados pela Justiça sobre medidas protetivas.

A rede, que conta com mais de 50 mil câmeras, entre equipamentos públicos e de parceiros privados, é uma das principais apostas do Município na prevenção e combate a crimes nas ruas.

Como funciona o programa

Uma das principais bandeiras da gestão Ricardo Nunes (MDB), o Smart Sampa opera por meio de um sistema de vigilância com milhares de câmeras espalhadas pela cidade, auxiliadas por ferramentas de inteligência artificial (IA), para identificar ocorrências policiais. O investimento mensal para manter a operação chega a R$ 10 milhões.

Assim que flagra o suspeito ou o crime, a IA, com base no georreferenciamento de viaturas, indica a equipe mais próxima. A imagem é enviada para quem está na rua. De acordo com a Prefeitura, o programa já contribuiu para a captura de 3.628 foragidos e a localização de 284 pessoas desaparecidas.

Especialistas defendem o uso de tecnologia na segurança, mas fazem alerta sobre a necessidade de fiscalização e regras de uso. Entre as fragilidades apontadas por especialistas estavam identificações imprecisas, abordagens indevidas e risco de violação à privacidade.

Algumas cidades americanas, como Baltimore e San Francisco, chegaram a abolir o uso de reconhecimento facial por órgãos públicos.