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MPE do Rio defende anulação da candidatura de Márcio Canella por ligações com milícias

Ministério Público Eleitoral solicita anulação da candidatura de Márcio Canella, aliado de Flávio Bolsonaro, por supostas conexões com o CV.

Por Sputnik Brasil 24/10/2026
MPE do Rio defende anulação da candidatura de Márcio Canella por ligações com milícias
Márcio Canella é acusado de ligações com milícias e CV pelo MPE do Rio de Janeiro. - Foto: © Reprodução / Redes sociais

O vice-procurador-geral eleitoral, Alexandre Espinosa, afirma no parecer que há elementos suficientes para demonstrar o envolvimento do político com organizações criminosas. Canella chegou a ser cotado para disputar uma vaga no Senado, com apoio de Flávio Bolsonaro, e também é aliado do governador eleito Douglas Ruas.

Porém, depois de ser preso em julho por porte de fuzil de uso restrito, a candidatura perdeu força e o ex-prefeito acabou tentando uma cadeira na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).

No parecer, Espinosa sustenta que o entendimento do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) permite impedir candidaturas de pessoas ligadas a organizações paramilitares ou grupos semelhantes, mesmo sem condenação criminal transitada em julgado.

Entre os elementos apontados pelo Ministério Público está a nomeação, em 2025, de dois supostos líderes de milícias para secretarias da Prefeitura de Belford Roxo, quando Canella assumiu a administração municipal. Segundo o parecer, um deles já havia sido condenado por constituição de milícia, enquanto o outro respondia a processos por extorsão e porte ilegal de arma e foi condenado posteriormente pelos crimes.

O documento também menciona indícios de que a operação Barricada Zero, voltada à remoção de obstáculos instalados pelo tráfico de drogas, teria envolvido acordos informais com o Comando Vermelho durante a gestão de Canella.

"Os acordos previam a liberação temporária dos acessos às comunidades para realização de obras e gravações de vídeos, com a posterior restituição do controle territorial à facção", afirma Espinosa.

Na conclusão, o vice-procurador-geral eleitoral aponta que os elementos reunidos indicariam a infiltração de lideranças milicianas na administração pública por meio do candidato, além de apoio eleitoral ostensivo dessas lideranças à sua campanha. O parecer também atribui a Canella atuação como articulador de uma organização criminosa armada.

Além de ter sido preso em 15 de outubro, dias após o primeiro turno, o ex-prefeito também foi alvo de busca e apreensão na Operação Unha e Carne, da Polícia Federal, que investiga uma quadrilha suspeita de lavar dinheiro para o crime organizado por meio de fraudes em postos de combustíveis. A operação também teve como alvo Marcus Amim, ex-secretário de Polícia Civil nomeado durante o governo de Cláudio Castro.