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Coaf aponta movimentação financeira de Flávio Bolsonaro incompatível com a renda do senador
Relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificaram movimentações bancárias consideradas incompatíveis com a renda declarada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à presidência da República.
Entre as operações destacadas pelo documento obtido pelo jornal O Globo está o recebimento de aproximadamente R$ 520 mil de um escritório de advocacia, em março de 2024, valor utilizado para quitar antecipadamente o financiamento de uma mansão avaliada em quase R$ 6 milhões em Brasília.
Segundo reportagem, o parlamentar movimentou cerca de R$ 1,3 milhão entre janeiro e março de 2024. De acordo com o Coaf, o volume médio das transações no período foi 7,19 vezes superior ao esperado para a renda informada. O órgão também identificou movimentações consideradas atípicas em uma conta do senador em novembro de 2025.
O pagamento de R$ 520 mil foi realizado pelo escritório Gavioli e Viola Advogados Associados. Conforme o relatório, a operação chamou a atenção por ter sido destinada à liquidação antecipada de um empréstimo imobiliário contratado em 2021 junto ao Banco de Brasília (BRB). Embora o financiamento previsse prazo de 30 anos, a dívida foi quitada em aproximadamente três anos, por meio de pagamentos extraordinários.
De acordo com a reportagem, ao solicitar o financiamento imobiliário, Flávio informou renda mensal de R$ 56,8 mil, proveniente do mandato parlamentar, de uma franquia de chocolates e de aplicações financeiras. Na ocasião, não declarou rendimentos da advocacia. Posteriormente, afirmou à Justiça que exercia a profissão e que os recursos usados na aquisição do imóvel tinham origem lícita.
Os documentos fazem parte de uma investigação da Polícia Federal (PF) sobre possíveis vínculos financeiros entre Flávio Bolsonaro e o advogado Willer Tomaz, em um caso que apura suspeitas de lavagem de dinheiro relacionadas a transações com plataformas de apostas online, as chamadas bets. O inquérito tramita no Supremo Tribunal Federal (STF), sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes.
Em novembro de 2025, outro mês com registro de movimentações atípicas, foram movimentados R$ 337,6 mil em uma conta do senador. Entre os créditos registrados havia uma transferência relacionada a uma arrecadação online, mas o documento não detalha a finalidade da operação nem identifica a origem do dinheiro.
Naquele mês, Flávio promoveu uma campanha de doações destinada às famílias de quatro policiais mortos durante uma operação no Rio de Janeiro. Segundo o site usado para a arrecadação, o valor levantado chegou a R$ 1,2 milhão. Na ocasião, o senador afirmou através das redes sociais que os recursos seriam integralmente repassados aos familiares, com divulgação dos comprovantes.
O Coaf é responsável por receber comunicações de instituições financeiras e identificar operações que possam apresentar indícios de irregularidades. Seus relatórios, entretanto, não comprovam por si só a ocorrência de crimes, servindo como subsídio para investigações.
Procurado pelo jornal, Flávio Bolsonaro não se manifestou. Bruno Gavioli Lopes, sócio do escritório que transferiu os recursos, também não comentou o caso, afirmando que respeita as regras éticas relacionadas aos processos e às parcerias profissionais.
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