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Estudo descarta buracos negros gigantes como principal componente da matéria escura

Pesquisa que analisou radiação cósmica de fundo concluiu que buracos negros extremamente massivos não compõem a matéria escura.

Por Sputnik Brasil 24/10/2026
Estudo descarta buracos negros gigantes como principal componente da matéria escura
Estudo indica que buracos negros gigantes não são os principais responsáveis pela matéria escura do Universo. - Foto: © Foto / NASA/JPL-Caltech

Um novo estudo concluiu que buracos negros com massas muito superiores às de galáxias inteiras não constituem um componente principal da matéria escura, a substância invisível que, segundo os modelos atuais, representa a maior parte da matéria do Universo. A pesquisa ajuda a restringir uma das hipóteses mais extremas sobre a natureza desse fenômeno ainda pouco compreendido.

A matéria escura foi proposta para explicar por que as galáxias permanecem coesas apesar de suas altas velocidades de rotação. Sua gravidade adicional impediria que essas estruturas se desintegrassem. Embora se estime que ela corresponda a cerca de cinco sextos de toda a matéria cósmica, sua composição permanece desconhecida e até sua própria existência segue sendo objeto de investigação.

Entre os possíveis candidatos à matéria escura estão os buracos negros, devido à sua enorme massa e à dificuldade de detectá-los. A nova pesquisa examinou especificamente a hipótese de que ela seja formada por "buracos negros estupendamente grandes", com massas superiores a 100 bilhões de sóis e podendo alcançar entre um e dez quatrilhões de massas solares, tornando-os mais pesados que galáxias inteiras.

Até hoje, porém, nenhum objeto dessa magnitude foi observado. O maior buraco negro conhecido possui cerca de 36 bilhões de massas solares. A ausência de detecções, mesmo após observações de diversas galáxias, levou os cientistas a concluir que esses gigantes cósmicos não podem responder pela totalidade da matéria escura, embora ainda possam representar uma fração dela.

Os pesquisadores argumentam que, se a matéria escura estivesse concentrada em poucos objetos colossais, o Universo apresentaria uma distribuição "granulada" em escalas muito amplas, uma característica que poderia ser identificada por meio de observações astronômicas, diferentemente do cenário mais convencional.

Para testar essa possibilidade, a equipe analisou a radiação cósmica de fundo em micro-ondas, a luz remanescente do Universo primitivo. Esse sinal foi liberado cerca de 380 mil anos após o Big Bang, quando o cosmos esfriou o suficiente para que os átomos se formassem e a luz passasse a viajar livremente. As pequenas variações de temperatura dessa radiação revelam como a matéria estava distribuída naquele período.

Os resultados mostraram que a radiação cósmica de fundo não apresenta a granulosidade que seria esperada caso existissem grandes quantidades desses buracos negros gigantescos. Assim, os autores concluíram que eles não compõem uma parcela significativa da matéria escura, embora a pesquisa não descarte a existência de objetos tão massivos e mantenha em aberto outras hipóteses — como a de buracos negros comparáveis a asteroides em tamanho, cuja possível contribuição para a matéria escura segue sendo investigada.