Geral

Caso Gustavo Munis: laudo aponta que jovem foi atingido por 12 tiros pela PM

Polêmica e revolta após abordagem policial que resultou em morte

Juliana Prado 24/10/2026
Caso Gustavo Munis: laudo aponta que jovem foi atingido por 12 tiros pela PM
Caso Gustavo Munis: laudo aponta que jovem foi atingido por 12 tiros pela PM - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Alerta: a reportagem abaixo trata de temas como suicídio e transtornos mentais. Se você está passando por problemas, veja ao final do texto onde buscar ajuda.

Um laudo do Instituto de Criminalística de São Paulo (IC) revela que Gustavo Munis de Santana, de 20 anos, morreu em uma abordagem policial em Moema, na zona sul de São Paulo, após ser atingido por, pelo menos, 12 tiros.

Conforme o documento, os policiais efetuaram 45 disparos durante a ocorrência, resultando na morte do jovem no local. Após o incidente, os policiais militares envolvidos foram afastados pela Secretaria da Segurança Pública (SSP), que declarou em nota que "não tolera desvios de conduta de seus agentes e apura com rigor as circunstâncias do caso".

Ainda segundo o laudo, quatro dos tiros foram fatais, sendo três atingindo o tórax e um o abdômen. Os outros oito disparos causaram ferimentos superficiais nas extremidades do corpo.

O caso

Câmeras de segurança registraram a abordagem em que Gustavo foi atingido pelos quatro policiais que atenderam a ocorrência, no dia 10 de outubro.

Segundo a versão dos agentes no boletim de ocorrência, a equipe foi acionada pelo Centro de Operações da Polícia Militar (Copom) após receber informações sobre uma pessoa supostamente "transtornada" e que ameaçava tirar a própria vida.

O registro policial relata que, ao chegar, o jovem atravessou uma passarela e se refugiou em um imóvel na Alameda dos Guaramomis. Ele teria saído de uma área escura, corrido em direção aos policiais com os braços estendidos, apontando um "objeto escuro".

As imagens mostram Gustavo tentando se abrigar junto a um estabelecimento e, em seguida, pega um celular com ambas as mãos, apontando-o na direção dos policiais. A dinâmica foi também capturada pelas câmeras corporais dos agentes.

De acordo com o boletim de ocorrência, os PMs confundiram o celular com uma arma de fogo e atiraram 45 vezes. As gravações mostram que Gustavo foi baleado mesmo já estando no chão. Um dos agentes disparou 14 vezes, utilizando uma pistola .40 com capacidade para 15 tiros. No boletim, foi registrado que Gustavo foi atingido por ao menos 27 disparos.

Gustavo Munis de Santana não possuía antecedentes criminais e vivia com suas irmãs e mãe, realizando tratamento psiquiátrico e usando antidepressivos desde o ano anterior.

A morte do jovem gerou indignação entre amigos e familiares, que criticaram a conduta dos policiais. Em entrevista ao Fantástico, da TV Globo, a mãe de Gustavo, Santiana Munis, questionou a atuação dos agentes. "Em caso de suicídio, você vai lá e mata?", indagou, enfatizando que os policiais não estavam lidando com um criminoso, mas com alguém em surto psicológico.

A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo reiterou que não tolera desvios de conduta e que as circunstâncias da morte estão sob investigação rigorosa.

"Constatadas irregularidades, os profissionais serão punidos. Os policiais envolvidos foram afastados das atividades operacionais e as armas apreendidas para perícia. As imagens das câmeras corporais estão em análise," afirma a nota.

O caso é objeto de investigação pela Polícia Civil, através do DHPP, e pela Polícia Militar, que instaurou um Inquérito Policial Militar (IPM), com supervisão da Corregedoria da PM, visando apurar a conduta dos policiais.

Mudança de protocolo

Após o falecimento de três indivíduos em situação de surto durante abordagens policiais em um intervalo de 15 dias, incluindo o caso de Gustavo, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), reconheceu a necessidade de reavaliar os protocolos de abordagem da Polícia Militar.

"Esses casos nos levaram a refletir sobre os procedimentos. Haverá uma reunião com o comando da Polícia Militar para revisar e aprimorar o treinamento, a fim de evitar excessos," afirmou o governador.

Ele destacou que cada morte está sendo investigada individualmente para aclarar as motivações das reações policiais, reconhecendo a necessidade de avaliar a atuação da corporação em diferentes contextos.

"O policial deve defender a própria vida. A polícia tem o dever de proteger a sociedade. Portanto, precisamos rever os procedimentos," complementou.

A declaração do governador foi feita após a morte de uma mulher que, armada com uma faca, apresentava comportamento alterado e foi baleada por um policial militar, falecendo em decorrência dos ferimentos.

O protocolo vigente orienta que, em situações semelhantes, os policiais priorizem o diálogo e a preservação da vida, sempre que possível, envolvendo equipes especializadas e profissionais de saúde.

Como buscar ajuda

Se você está enfrentando sofrimento psíquico ou conhece alguém que precise de apoio, confira abaixo onde encontrar assistência.

Centro de Valorização da Vida (CVV)

Se você precisar de ajuda imediata, entre em contato com o Centro de Valorização da Vida (CVV), um serviço gratuito de apoio emocional disponível 24 horas por dia. Você pode contatar através de e-mail, chat no site ou pelo telefone 188.

Canal Pode Falar

Iniciativa do Unicef que oferece escuta a adolescentes e jovens de 13 a 24 anos, disponível pelo WhatsApp, de segunda a sexta-feira, das 8h às 22h.

SUS

Os Centros de Atenção Psicossocial (Caps) são parte do Sistema Único de Saúde (SUS) dedicados ao atendimento de pessoas com transtornos mentais. Em São Paulo, é possível encontrar os endereços dessas unidades nesta página.

Mapa da Saúde Mental

O site fornece mapas de unidades de saúde e iniciativas gratuitas de atendimento psicológico, além de materiais de orientação sobre transtornos mentais.