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STF determina bloqueio de até R$ 6 bi de advogado amigo de Flávio Bolsonaro e quebra de sigilo de empresas

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes determinou nesta sexta-feira (23) o bloqueio de até R$ 6 bilhões do advogado Willer Tomaz de Souza, investigado pela Polícia Federal (PF) e amigo do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL).

Por Sputnik Brasil 24/10/2026
STF determina bloqueio de até R$ 6 bi de advogado amigo de Flávio Bolsonaro e quebra de sigilo de empresas
STF determina bloqueio de R$ 6 bilhões de advogado amigo de Flávio Bolsonaro. - Foto: © Foto / Marcelo Camargo / Agência Brasil

Também foi determinada a quebra dos sigilos bancário, fiscal e cambial, além do sequestro, bloqueio e indisponibilidade de bens móveis e imóveis do advogado e de suas empresas, incluindo aeronaves e embarcações.

O inquérito da PF aponta indícios de lavagem de dinheiro em que Tomaz e Flávio são alvos de um esquema de fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), com Moraes como relator do caso na Corte.

A investigação surgiu a partir da análise de movimentações ligadas ao setor de apostas. Uma empresa de propriedade de Willer Tomaz pagou voos de Flávio para a Europa em 2025, atuando como intermediária na compra das passagens usadas em viagens pessoais que envolveriam familiares de ambos.

O ministro também ordenou o cancelamento dos passaportes do investigado, incluindo um diplomático, e a suspensão das atividades econômicas, financeiras e empresariais de todas as companhias vinculadas a ele.

O empresário deixou o Brasil em 21 de agosto deste ano, com destino a Miami, EUA. Segundo a decisão, a justificativa para cancelar os passaportes deve-se ao argumento dos investigadores de que, no exterior, o empresário pode destruir provas sobre fundos e empresas constituídos fora do Brasil.

Moraes determinou que bancos e instituições financeiras encaminhem, no prazo de 24 horas, informações sobre as contas bancárias das empresas vinculadas ao advogado, incluindo a identificação de antigos e atuais cotitulares.

A decisão também ordenou a comunicação imediata das medidas ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), ao Banco Central, à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), à Superintendência de Seguros Privados (Susep) e à Receita Federal para que tomem as providências de bloqueio e monitoramento.

Em nota, a defesa de Willer Tomaz afirmou que o valor bloqueado não corresponde ao seu patrimônio e que as medidas são desproporcionais, alegando que a suspensão das atividades das empresas é uma punição antecipada, sem acusação formal ou condenação.

Relação com Flávio Bolsonaro

A investigação sobre Tomaz e Flávio no STF está sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes e deriva de uma apuração da PF sobre suspeitas de evasão de divisas e lavagem de dinheiro por meio de plataformas de apostas. Os investigadores encontraram indícios de que o advogado controla a Rede Loto, autorizada pelo governo do Rio de Janeiro a operar em maio de 2023.

A análise de dados obtidos após a quebra de sigilo telemático de Tomaz identificou mensagens e outros registros que indicariam proximidade entre ele e Flávio.

De acordo com as investigações, o advogado movimentou cerca de R$ 5 bilhões em plataformas de apostas on-line em 2025, conforme nota técnica do Ministério da Fazenda.

O documento, da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), de 1º de outubro de 2026, aponta que Tomaz foi a pessoa física com o maior volume de depósitos em bets no Brasil em 2025, quase o dobro do registrado pelo segundo colocado, além de saques de cerca de R$ 200 milhões na plataforma Blaze, operada pela Foggo Entertainment.

Em ação cível contra a Blaze, Tomaz alegou sofrer de ludopatia, condição associada ao vício em jogos, e pediu a devolução de R$ 163 milhões, apontando falhas no funcionamento da plataforma. Em 16 de outubro, a Justiça de São Paulo negou o pedido ao destacar que o advogado solicitou condições especiais para apostas de alto valor, incluindo mesas exclusivas de blackjack.

Em nota, a defesa de Tomaz afirmou que os recursos utilizados nas apostas têm origem lícita, são compatíveis com seus rendimentos e foram declarados à Receita Federal.

Flávio Bolsonaro classificou o inquérito como "fake news". A assessoria do senador não se manifestou sobre as informações relativas ao volume de apostas.