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Taxas de juros se descolam do exterior e fecham em baixa

Movimento influenciado por expectativas eleitorais e decisão do MPTCU

Estadao Conteudo 18/09/2026
Taxas de juros se descolam do exterior e fecham em baixa
- Foto: Depositphotos

Os juros futuros se descolaram da pressão nos mercados globais de renda fixa, que antecipam um maior aperto monetário à frente, e terminaram o pregão desta sexta-feira em queda. Agentes não identificaram um gatilho específico para a acomodação da curva a termo, que entrou no campo negativo no início da tarde, mas relacionam o movimento com a percepção do mercado de que a oposição pode sair vencedora nas eleições. Também contribuiu um fluxo de investimentos aplicado em todos os vértices da curva, com maior intensidade na ponta longa, segundo uma fonte.

Outro fator que pode ter influenciado foi o pedido do Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (MPTCU) para suspender o reajuste do Bolsa Família, em um período em que todas as atenções se voltam para as eleições.

Ao final dos negócios, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 permaneceu estável em relação ao ajuste da véspera, em 13,555%. O DI para janeiro de 2029 cedeu levemente, para 13,840%, vindo de 13,845%. Já o DI para janeiro de 2031 anotou baixa, passando de 14,061% para 14,020%. Na semana, a curva a termo perdeu entre 1 e 3 pontos-base nos principais vértices.

A pesquisa Datafolha divulgada na quinta-feira à noite, que mostrou um empate técnico entre o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), com o petista numericamente à frente, não impactou os preços pela manhã: os números foram interpretados como "mais do mesmo", sem grande impulso para a oposição. Os ativos costumam reagir positivamente quando Flávio melhora nas pesquisas, pois parte do mercado acredita que um governo de direita estaria mais inclinado a promover um ajuste fiscal.

Mesmo com a Datafolha considerada "neutra" e sem rumores sobre novas pesquisas, agentes avaliam que foi o quadro político que permitiu a redução nas taxas ao longo da sessão, uma vez que os investidores precificam a possibilidade da vitória de Flávio.

Para o estrategista-chefe da Sincra, Gustavo Cruz, o movimento mais consistente na semana e nesta sexta-feira seria de elevação na curva, dado que ficou evidente que os EUA devem subir juros ao menos mais uma vez. "Esperávamos uma reação mais forte da curva brasileira, mas o cenário eleitoral e os acontecimentos no STF complicaram um pouco a análise, assim como o aumento do Bolsa Família", disse ele.

No período da tarde de quinta-feira, o MPTCU solicitou a suspensão do reajuste de 15% do benefício, anunciado pelo governo federal. Na solicitação, o órgão indica que a medida pode ter violado a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), ao não apontar a fonte de custeio e as estimativas de impacto financeiro, além de ser incompatível com as leis orçamentárias. "Isso também pode ter ajudado um pouco a curva", acrescenta Cruz.

Segundo um estrategista de uma grande instituição, que falou sob anonimato, no período da tarde ocorreu um fluxo aplicado, ou seja, que aposta na queda das taxas, distribuído ao longo de todos os vencimentos da curva, com maior intensidade no de janeiro de 2031, o que também contribuiu para a perda de força dos juros.

Para Iván Riveros, estrategista de câmbio e juros para mercados da América Latina do Citi, os DIs podem continuar se desvinculando da postura mais conservadora do Fed, conforme já observado ao longo de setembro. "Nas próximas semanas, os ativos locais devem continuar sendo dirigidos principalmente por desdobramentos políticos, uma vez que a divergência nos arcabouços fiscal e econômico dos candidatos moldará as expectativas do mercado para 2027", afirmou.

Nos EUA, os títulos soberanos seguiram se ajustando no período da tarde após um aumento de 0,25 ponto porcentual nos juros pelo Fed na quarta-feira, assim como as projeções de nova alta até o fim do ano. Nesta sexta-feira, o aumento promovido pelo Banco do Japão (BoJ) na taxa básica do país, para 1,25% - o maior nível em três décadas - e as perspectivas de um aperto adicional também influenciaram as curvas globais. Às 18h04, a taxa da T-note de dois anos avançava de 4,683% para 4,743%, enquanto a da T-note de dez anos subia de 4,937% para 4,993%.